A opinião de dom Helder Câmara sobre o carnaval

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No dia primeiro de fevereiro de 1975, na crônica “Um Olhar sobre a Cidade”, dom Helder Câmara, falava na rádio Olinda AM, em Pernambuco, sobre a importância do carnaval, conclamando o povo a participar, com alegria, dessa festa popular.

O padre que, por diversas vezes, foi ameaçado de morte em decorrência de suas pregações contra a tirania, as injustiças socioeconômicas e a ditadura militar, disse naquele dia que “Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval. Estive recordando sambas e frevos, do disco do Baile da Saudade: ô jardineira por que estas tão triste? Mas o que foi que aconteceu….Tú és muito mais bonita que a camélia que morreu. BRINQUE MEU POVO POVO QUERIDO! MINHA GENTE QUERIDÍSSIMA. É VERDADE QUE 4a FEIRA A LUTA RECOMEÇA. MAS, AO MENOS, SE PÔS UM POUCO DE SONHO NA REALIDADE DURA DA VIDA!”

Lembremos um pouco de dom Helder. O bispo cearense detentor de extenso currículo em defesa dos pobres e um dos responsáveis pela criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fundou em outubro de 1959 o Banco da Providência, com o qual surgiu “a preocupação de arrecadar os recursos suficientes para fazer frente às necessidades das pessoas atendidas. Em dezembro de 59 é feita a primeira ação que daria origem dois anos depois a Feira da Providência. O bazar realizado no Copacabana Palace foi organizado por um comprometido grupo de voluntárias, que com muita mobilização conseguiu doações de empresários e contribuições de pessoas físicas, gerando assim um surpreendente resultado financeiro”, informa o site da Feira da Providência.

“Em 1961 realizou-se a 1ª Feira da Providência no Clube Piraquê. Desde a primeira edição o evento contou com o apoio dos estados, poder público, das representações diplomáticas, dos empresários e de um grande número de voluntários e do público em geral”, acrescenta o site.

“Para criar a identidade visual da Feira, D. Helder chamou seu amigo Ziraldo que criou o personagem carinhosamente apelidado de “Bocão” e hoje tem o recorde mundial do designer que fez o maior número de cartazes do mesmo evento, sem falhar um ano sequer!”

Pois bem. Ao lembrar dom Helder Câmara, brinquemos o carnaval ainda nesses dois dias que restam, este ano, sem o farisaísmo nem a hipocrisia que emanam de muitos. Mas é preciso cuidado para não exagerar e ter prejuízos depois. Que cada um use desse direito, sabendo que na quarta-feira de cinzas tudo volta ao normal, com as responsabilidades e os compromissos inadiáveis.

Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 12.02.18

 

 

 

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