A Batalha do Jenipapo

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Chegamos mais uma vez ao dia 13 de março.

Chegamos mais uma vez à data da Batalha do Jenipapo, uma luta inglória, onde muitos piauienses ficaram estendidos pelo chão, mortos pelas armas portuguesas.

Armas portuguesas, aliás, que à época da batalha já nos escravizavam há mais de 300 anos.

Armas portuguesas que nos inferiorizavam, que nos humilhavam na nossa própria casa.

A Batalha dos Jenipapos – assim conhecida por ter acontecido ao lado de um rio com o nome de jenipapo – foi um grande ato de heroísmo de um punhado de bravos que a história teima em desconhecer, teima em ignorar.

É como se heroísmo piauiense não tivesse o mesmo peso do heroísmo de outros estados, de outras regiões.

É como se a nossa disposição para a luta e para a morte fosse de qualidade inferior, como se a vida do piauiense não fosse tão importante quanto a vida de uma pessoa de outra região.

Ou, quem sabe, talvez o fato da derrota para os portugueses no campo de batalha, tenha ofuscado a nossa valentia.

Perdemos a guerra, é verdade.

É verdade também que muitos dos nossos homens, muitos dos nossos vaqueiros, muitos de nossos jovens, muitos dos nossos soldados tombaram no campo de batalha.

Se o restante do Brasil insiste em não querer reconhecer nosso gesto heroico de 13 de março de 1822, problema do restante do Brasil.

Cabe a nós piauienses reconhecer a valentia e a determinação de nossa população na defesa da pátria ameaçada.

Perdemos a guerra, é verdade.

Perdemos a guerra, mas nunca omitimos este fato.

O fato de perder a guerra não nos envergonha.

Perder ou ganhar faz parte do jogo, nesse caso, perder ou ganhar faz parte da guerra.

A derrota, tenham certeza, não nos envergonhará nunca.

Não nos envergonhará simplesmente porque a derrota no campo de batalha é, acima de tudo, o mais puro exemplo da nossa bravura.

Aqueles mais de 200 corpos inertes no palco da guerra longe de nos envergonhar, longe de ser motivo de vergonha para os piauienses, tem que ser é motivo orgulho.

Orgulho de um povo – como diz o próprio Hino Nacional brasileiro – orgulho de um povo que não teme nem a própria morte.

Se o restante do Brasil insiste em fechar os olhos para esses atos de bravura, o reconhecimento, então, tem que ser nosso.

Vamos, nós mesmos, reconhecer o nosso heroísmo, o nosso destemor diante da morte.

Vamos reconhecer, nós mesmos, o nosso amor pela pátria.

Afinal, somos nós piauienses as mais confiáveis testemunhas da Batalha do Jenipapo.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (13.03.18)

07:55

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