A cachaça

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Hoje, 13 de setembro, é dia de um dos nossos maiores símbolos, um símbolo ao qual devemos render homenagens sempre, embora de forma moderada.

Hoje, celebra-se em todo o Brasil o Dia Nacional da Cachaça.

Pois é.

A cachaça também tem um dia para chamar de seu, um dia para ser louvada, embora ela já seja louvada diariamente sem a necessidade de uma data específica.

Nada mais brasileiro do que a cachaça nossa de cada dia.

Dizem até – imaginem só! – que cachaça é cultura. Dizem até – imaginem só! –  que a cachaça representa a verdadeira identidade verde-amarela.

Como costumamos dizer nos bares da vida, é muita onda. É muita onda realmente.

A cachaça é tão brasileira que é cheia de apelidos. Igualzinho ao brasileiro, que adora colocar apelido nas pessoas.

Cachaça é aguardente, é pinga, abrideira, apaga tristeza, é também a que matou o guarda.

Cachaça é bafo de onça, bagaceira, canicilina, capote de pobre, catiguenta, é chora menina e desmancha samba.

Cachaça é xodó, é fogosa e forra-peito; é goró e iaiá me sacode.

Cachaça é levanta velho, limpa goela, é marvada e mata paixão.

É pau de urubu, é quebra munheca, é veneno, é venenosa; é xarope dos bêbados.

Muitos sentem uma verdadeira adoração pelo álcool, pela cachaça.

Chegam a dizer que quem passa álcool nas mãos fica imune a várias bactérias, mas quem bebe fica quase imortal.

Quem bebe é sempre espirituoso, quando não rico.

Às vezes mentiroso. Uns mentem mais, outros mentem menos, mas a mentira, aquela mentira inocente, também faz parte.

É verdade, sempre aparece alguém que logo depois da primeira talagada começa a revelar bens inexistentes e parentesco com pessoas importantes que sequer o conhecem.

Mas isso tudo é diversão.

A cachaça é motivo de prazer, é a atração principal dos encontros nos finais de semana, é a coroação de uma pelada com os amigos.

Enfim, a cachaça é motivo de alegria.

A cachaça é responsável por boas gargalhadas, não tenham dúvida. A cachaça anima o espírito e o bêbado de espírito animado é palhaçada garantida.

Independentemente de classe social, o bêbado é um palhaço, às vezes uma criança.

O bêbado e a piada são coisas indispensáveis nessas rodas de alegria e diversão que se formam, geralmente nos fins de semana.

Rodas que, como a cachaça, fazem parte da vida de muitos.

Mas o bom senso recomenda a todos que devemos beber com moderação.

E se for beber não dirija.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (13.09.18)

08:20

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