Chico Leal

Chico Leal

O amigo e a amizade

Hoje é o Dia do Amigo e é também o dia da amizade.

Muitos já escreveram e continuarão escrevendo

sobre amigos e amizade, até porque amigos e amizades existirão sempre.

Amizade é a relação afetiva entre os indivíduos. É o relacionamento que as pessoas têm de afeto e carinho por outra;

Amigo é aquele que possui uma grande afeição por uma ou mais pessoas, que é leal, que protege e faz o possível para ajudar sempre. Enfim, amigo e amizade se confundem.

Mas, para que serve um amigo? Pergunta a poetisa gaúcha Martha Medeiros.

E ela mesmo responde:

O amigo serve para rachar a gasolina, emprestar a prancha, recomendar um disco, dar carona pra festa, passar cola, caminhar no shopping, segurar a barra.

Todas as alternativas estão corretas, porém isso não basta para guardar um amigo do lado esquerdo do peito.

Milan Kundera, escritor tcheco, escreveu em seu livro, “A Identidade”, que a amizade é indispensável para o bom funcionamento da memória e para a integridade do próprio eu.

Os amigos são testemunhas do passado e são nosso espelho, através do qual podemos nos olhar.

O tcheco vai além: diz que toda amizade é uma aliança contra a adversidade, aliança sem a qual o ser humano ficaria desarmado contra seus inimigos.

Segundo Érico Veríssimo, amigo é a luz que não deixa a vida escurecer.

Amigo é aquele que conhece todos os seus segredos e mesmo assim gosta de você.

Verdade verdadeira.

Amigos recentes custam a perceber essa aliança, não valorizam ainda o que está sendo construído.

São amizades não testadas pelo tempo, não se sabe se enfrentarão com solidez as tempestades ou se serão varridos numa chuva de verão. Veremos.

Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos.

Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta.

Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país.

Um amigo não dá carona apenas para festa. Te leva para o mundo dele, e topa conhecer o teu.

Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon.

Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado.

Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador.

Duas dúzias de amigos assim ninguém tem.

Se tiver um, amém.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (20.07.18)

09:17

Solidariedade

Vivemos num mundo muito competitivo, como todos sabem.

Vivemos num mundo em que a competitividade é extremamente rígida e exigente.

Em qualquer área de atuação você tem que ser o melhor, caso contrário vai caminhar fatalmente para o fracasso.

O tempo moderno nos cobra pressa.

E com essa obsessão pela carreira, pelo topo, estamos esquecendo muitas coisas igualmente importantes na vida de cada um de nós.

Estamos esquecendo pais e irmãos; estamos esquecendo filhos e amigos e estamos esquecendo a solidariedade.

O brasileiro não é mais o solidário de antes, não é mais aquela pessoa que se preocupa com o vizinho, muito menos com o bem estar do próximo.

É certo que as dificuldades e a vida dura que o tempo cobra nos leva a uma grande correria diária e temos que sacrificar algumas atividades.

Mesmo assim não podemos e nem devemos sacrificar a caridade. A solidariedade tem que estar presente na nossa vida, porque ela é importante.

A prática da caridade é um notável indicador de elevação moral e uma das práticas que mais caracterizam a essência boa do ser humano.

Dia 19 de julho é o dia dedicado à caridade e é importante que nos voltemos para essa questão.

Em meio a inúmeros avanços tecnológicos que tornam nossa vida mais prática e funcional, em meio à correria diária, não podemos jamais esquecer que também devemos avançar na afetividade e no sentimento solidário para com o próximo.

O sentimento solidário valoriza a nossa própria essência como seres humanos. Por isso, falar de caridade se faz tão necessário.

Caridade não se restringe a esmola.

Caridade é ajudar um amigo a encontrar um emprego, é fazer uma doação a um asilo, é ajudar o próximo a obter meios de sobrevivência, é ser voluntário num hospital, é participar de uma ação comunitária em seu bairro.

A caridade é na maioria das vezes aquela luz no final do túnel, tanto para quem a concede, como também para quem a recebe.

A caridade é um exercício espiritual, definiu certa vez o médium Chico Xavier.

Quem pratica o bem coloca em movimento forças da alma.

Quando os espíritos nos recomendam, com insistência a prática da caridade, eles estão nos orientando no sentido de nossa própria evolução; não se trata apenas de uma indicação ética, mas de profundo significado filosófico.

Como escreveu o poeta Mário Quintana, permita-se rir e conhecer outros corações.

Aprenda a viver, aprenda a amar as pessoas com solidariedade, aprenda a fazer coisas boas, aprenda a ajudar os outros, aprenda a viver sua própria vida.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (19.07.18)

08:31

Desonestidade

O ouvinte com certeza já percebeu que não se fala mais em honestidade no Brasil.

Fala-se – e se fala muito – em desonestidade.

Diariamente somos abastecidos com os mais variados tipos de informação, todas, invariavelmente, falando ou mostrando atos de corrupção.

Será que chegamos ao ponto de esquecer o que é honestidade?

Será que também chegamos ao ponto de achar que no Brasil de hoje tudo é permitido, mesmo as coisas ilegais?

Sinceramente em alguns momentos chegamos a acreditar que sim.

Chegamos a acreditar até que a população brasileira está perdendo a sua capacidade de se indignar.

E o que é pior: está perdendo a capacidade de se indignar e está a um passo de se tornar cúmplice.

Está a um passo de se tornar cúmplice de tudo isso que está acontecendo em nosso país.

Talvez a morosidade da justiça no julgamento dos culpados esteja nos levando por esse caminho, nos levando por esse caminho onde tudo é possível.

Mas convém lembrar que cumplicidade também é crime.

Se você é cumplice, você é conivente.

Se você é cúmplice, se você ajudou, você participou de alguma forma do mal feito.

Por isso não podemos esquecer que honestidade é um valor, é uma qualidade própria do ser humano que tem uma estreita ligação com os princípios de verdade, com os princípios de  justiça e com a integridade moral.

A honestidade está também ligada à sinceridade, a coerência, a integridade, ao respeito e à dignidade.

Uma pessoa honesta é aquela que procura sempre anteceder a verdade em seus pensamentos, em suas expressões e em suas ações.

Não podemos, em momento algum, achar que a desonestidade tem que prevalecer, simplesmente porque tem que ser assim.

O brasileiro precisa se tornar imune quanto a isso.

Roubo, fraude, desvio de verbas públicas é corrupção. Tudo isso é corrupção. E corrupção é crime.

Quem frauda, quem desvia dinheiro público, quem rouba, é criminoso.

É criminoso e tem que ser tratado como criminoso.

Tem que ser tratado com os rigores da lei.

A população tem que cobrar isso, tem que cobrar o cumprimento da lei.

Nada de fraqueza, nada de complacência com quem desvia até mesmo o dinheiro da merenda de seu filho na escola pública.

A honestidade tem que prevalecer sempre.

Não podemos desanimar diante do triunfo dos maus, pois esse triunfo  certamente será passageiro.

A vitória dos corruptos não pode nos abalar, pois ela certamente não será duradoura, não será para sempre.

O bem sempre vencerá o mau e o amor sempre vencerá o ódio.

Sócrates, famoso filósofo da Grécia Antiga, dizia que se o desonesto soubesse a vantagem de ser honesto, ele seria honesto ao menos por desonestidade.

O homem desonesto – já disse o poeta – é um homem pobre de espírito, é pobre de caráter, é pobre de honra.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (18.07.18)

09:08

Triste sina

O resgate de 13 pessoas, entre elas 12 crianças e adolescentes numa caverna na Tailândia, deixou o mundo em suspense por vários dias. Eram crianças que podiam morrer a qualquer momento.

O mundo inteiro viveu esse momento de apreensão.

O mudo inteiro orou e rezou pela salvação dessas almas inocentes, pobres vitimas do destino.

Deveria ser sempre assim quando o assunto envolve crianças.

Deveria, mas nem sempre é assim.

Pelo menos no Brasil nem sempre é assim.

No Brasil temos as nossas cavernas, mas ninguém parece muito preocupado em tirar nossas crianças de lá.

No Brasil temos cavernas profundas e uma das maiores delas é a caverna chamada pobreza.

Relatório da Fundação Abrinq revela que entre as crianças brasileiras de zero a 14 anos, 40,2% vivem em situação de pobreza.

Nessa caverna verde-amarela chamada pobreza estão mais de 17 milhões de brasileirinhos e brasileirinhas sem as condições mínimas de sobrevivência.

As regiões Norte e Nordeste, como sempre, concentram a maior quantidade de jovens nestas condições.

No Norte, 60% da população de até 14 anos foi classificada como pobre; no Nordeste, somos 54%, o dobro da média das regiões Sul e Sudeste.

São, portanto, mas de 17 milhões de brasileiros menores de idade que vivem à margem de tudo, que não têm nem mesmo direito a uma alimentação dentro daquilo que se pode chamar de satisfatória.

Quando falamos em pessoas sem condições de sobrevivência, estamos falando de pessoas, de seres humanos, que não soneguem fazer duas refeições diárias; falamos de pessoas que não têm acesso à educação, à cultura, à saúde.

Quando falamos em pessoas sem condições de sobrevivência, estamos falando de pessoas privadas de necessidades humanas básicas, como alimentos, água potável, instalações sanitárias, habitação e informação.

São mais de 17 milhões de brasileiros e brasileiras vivendo nessa situação humilhante e ninguém parece muito preocupado com isso.

Temos também mais de 13 milhões de brasileiros em situação de extrema pobreza, daí a constatação de que estamos gerando cada vez mais pobres, estamos gerando cada vez mais pessoas despidas até mesmo da condição de ter esperança.

Afinal, não há como ter esperança num cenário de tanta desesperança.

Nossas cavernas, infelizmente, deverão permanecer submersas, longe da vista do mundo, sem atrair holofotes e sem causar comoção.

O Brasil do milagre fez questão de esquecer os seus pobres; fez questão de deixar seus pobres em imensas cavernas subterrâneas, privados da luz da razão e da verdade.

Como se a pobreza fosse mesmo a triste sina de todos.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (17.07.18)

08:36

O juiz e a justiça

Muita gente deve está se perguntando o que realmente acontece com a justiça brasileira neste tumultuado começo de segundo semestre.

É difícil responder.

Mas lembrei-me de uma carta escrita por uma juíza do interior do Brasil ainda no final de 2016.

A juíza chama se Ludmila Graça.

E o texto é o que segue.

“Sempre que o STF profere alguma decisão bizarra, o povo logo se apressa para sentenciar: “a Justiça no Brasil é uma piada”.

Nem se passa pela cabeça da galera que os outros juízes – sim, os OUTROS – se contorcem de vergonha com certas decisões da Suprema Corte, e não se sentem nem um pouco representados por ela.

O que muitos juízes sentem é que existem duas Justiças no Brasil. E essas Justiças não se misturam uma com a outra. Uma é a dos juízes por indicação política. A outra é a dos juízes concursados.

A Justiça do STF e a Justiça de primeiro grau revelam a existência de duas categorias de juízes que não se misturam. São como água e azeite.

São dois mundos completamente isolados um do outro. Um não tem contato nenhum com o outro e um não se assemelha em nada com o outro.

Um, muitas vezes, parece atuar contra o outro. Faz declarações contra o outro. E o outro, por muitas vezes, morre de vergonha do um.

Geralmente, o outro prefere que os “juízes” do STF sejam mesmo chamados de Ministros – para não confundir com os demais, os verdadeiros juízes.

A atual composição do STF revela que, dentre os 11 Ministros, apenas dois são magistrados de carreira.

Ou seja: nove deles não têm a mais vaga ideia do que é gerir uma unidade judiciária a quilômetros de distância de sua família, em cidades pequenas do interior, com falta de mão-de-obra e de infra-estrutura, com uma demanda acachapante e praticamente inadministrável.

Julgam grandes causas – as mais importantes do Brasil – sem terem nunca sequer julgado um inventariozinho da dona Maria que morreu; nem uma pensão alimentícia simplória; nem uma medida para um menor infrator, nem um remédio para um doente, nem uma internação para um idoso, nem uma autorização para menor em eventos e viagens, nem uma partilhazinha de bens, nem uma aposentadoriazinha rural.

Certamente não fazem a menor ideia de como é visitar a casa humilde da senhorinha acamada que não se mexe, para propiciar-lhe a interdição. Nem imaginam como é desgastante a visita periódica ao presídio – e o percorrer por entre as celas. Nem sonham com as correições nos cartórios extrajudiciais. Nem supõem o que seja passar um dia inteiro ouvindo testemunhas e interrogando réus.

Nunca presidiram uma sessão do Tribunal do Júri; não conhecem as agruras, as dificuldades do interior. Não conhecem nada do que é ser juiz de primeiro grau. Nada.

Do alto de seus carros com motorista pagos com dinheiro público, não devem fazer a menor ideia de que ser juiz de verdade é não ter motorista nenhum. Ser juiz é andar com seu próprio carro – por sua conta e risco – nas estradas de terra do interior do Brasil.

Talvez os Ministros nem saibam o que é uma estrada de terra – ou nem se lembrem mais o que é isso. Às vezes, nem a gasolina ganhamos, tirando muitas vezes do nosso próprio bolso para sustentar o Estado, sem saber se um dia seremos reembolsados.

Será que os juízes, digo, Ministros do STF sabem o que é passar por isso? Por que será que os réus lutam tanto para serem julgados pelo STF, o famoso “foro privilegiado”, fugindo dos juízes de primeiro grau como o diabo foge da cruz?

Por que será que eles preferem ser julgados pelos “juízes” indicados politicamente, e não pelos juízes concursados?

É por essas e outras que, sem constrangimento algum, rogo-lhes: não me coloquem no mesmo balaio do STF. Faço parte da outra Justiça: faço parte da justiça VERDADE.”

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (16.07.18)

09:04

O homem

Domingo próximo, 15 de julho, é o Dia Nacional do Homem, é o dia em que o Brasil festeja o dia do homem.

O escritor francês Victor Hugo, autor do livro Os miseráveis, escreveu certa vez  que o homem é a mais elevada das criaturas.

A mulher, o mais sublime dos ideais.

Deus fez para o homem um trono; para a mulher fez um altar.

O trono exalta e o altar santifica.

Mas pesquisando sobre o homem através da antropologia filosófica, vamos encontrar que o homem é um animal bem diferente.

O homem é um animal que ao mesmo tempo é corpo, alma e espírito; é razão e emoção; físico e metafísico; singular e coletivo; objetividade e subjetividade; consciência e inconsciência.

O homem é um animal que morre em nome do amor, mas que também mata em nome deste mesmo amor.

Há, no entanto, aqueles que como o já citado Victor Hugo, consideram o homem a mais elevada das criaturas.

Há quem considere o homem como a parte mais bonita  da criação da natureza, o primeiro a chegar a esse mundo, como semente da humanidade.

O homem chega a sacrificar seus sonhos por um sorriso na cara de seus pais.

Ele gasta o dinheiro de seu bolso nos presentes da mulher que ama, só para vê-la sorrir.

O homem sacrifica sua juventude inteira para sua esposa e filhos, trabalhando até tarde sem se queixar.

Ele constrói o futuro de seus seres queridos tomando empréstimos dos bancos e pagando-os pelo resto de sua vida com muito suor e trabalho.

Ele luta muito e ainda tem que aguentar os gemidos, gritos e muitas vezes a incompreensão da sua própria mulher, dos seus próprios filhos,  de seu chefe e até de sua mãe, mesmo que sua vida seja um total compromisso pela felicidade dos demais.

Mas, se o homem sai, é descuidado.

Se fica, é um preguiçoso.

Se repreende os filhos, é um monstro.

Se não os repreende, é irresponsável.

Se não deixa que sua esposa  trabalhe , é inseguro.

Se a deixa trabalhar, é um folgado.

Se escuta a mãe, tem mamãezinha.

Se escuta a sua esposa, é barriga branca, é pau mandado.

Se cai em tentação  é um mulherengo, é um depravado;  se resiste, é bicha.

Se chorar é um fraco, se não chorar é um insensível.

O homem, na verdade, é mesmo um animal incompreendido.

O homem é aquele animal que não pode chorar, mas que chora.

Homem de verdade sente saudades, homem de verdade diz eu te amo, homem de verdade sabe dar o valor merecido a cada tipo de pessoa, homem de verdade tem sentimentos.

Homem de verdade é aquele que sofre, mas ergue a cabeça e começa a escrever uma nova história.

Parabéns aos homens de verdade.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (13.07.18)

08:44

O caos

Muito se tem falado em caos, principalmente nos últimos meses.

Mas o que é caos?

É preciso explicar para a população o que é caos.

Afinal, caos não é uma dificuldade qualquer, não é uma coisa banal.

Ao contrário, caos é o fim.

O caos a que nos referimos é uma bagunça, é confusão, é balbúrdia.

O caos a que nos referimos é desordem, é obscuridade, é transtorno, é trapalhada.

O caos a que nos referimos é uma coisa assim parecida com o Piauí atual.

É verdade, o Piauí é um caos. O Piauí é um exemplo de caos anunciado.

Em todos os sinônimos do caos, infelizmente, o Piauí está presente.

Se o caos a que nos referimos é desordem, não há como se negar que o Piauí de hoje é uma desordem só.

Se o caos a que nos referimos é obscuridade, também vivemos na obscuridade. Vivemos na escuridão. O exemplo do sumiço do dinheiro dos consignados e dos segurados da previdência estadual é, por si só, mais do que suficiente.

Se o caos a que nos referimos é trapalhada também estamos no meio. Vejam, por exemplo, que o Piauí acaba de perder mais de 200 milhões de reais por não ter iniciado dentro do prazo as obras do VLT.

Se o caso é de transtorno, aí mesmo é que estamos no meio. O caso do Plamta basta para justificar. Imaginem só o transtorno que o governo causa ao deixar sem assistência e sem atendimento médico seus servidores, mais de 200 mil segurados e dependentes.

Mas se o caos é abandonar a educação à sua própria sorte, estamos dentro também.

As escolas públicas do Piauí estão fechadas.

O governo, que chegou a arranjar uma mãe para sua educação, parece ter encontrado não uma mãe, mas uma madrasta.

As escolas públicas estão fechadas simplesmente porque o estado se nega a pagar o que deve aos professores.

Um estado sem saúde, sem segurança e sem educação é um verdadeiro caos.

Todos esses caos maltratam de forma dolorosa a população.

Sem saúde as pessoas morrem à mingua.

Sem segurança a população fica a mercê das balas criminosas.

Sem educação, ficamos sem futuro, porque nossas crianças passam a viver ao Deus dará, sem nada que lhes possa garantir um mundo digno e decente.

Um general chinês que morreu no ano de 496 Antes de Cristo, dizia que  quando o comandante demonstrar fraqueza, não tiver autoridade, suas ordens não forem claras e seus oficiais e tropas forem indisciplinados, o resultado será o caos e a desorganização absoluta.

Chegamos a isso, infelizmente.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (12.07.18)

08:21

Os sem alma

Quando cobramos sensibilidade ao gestor público estamos cobrando desse gestor apenas a capacidade de ter emoção, de ter sentimento; estamos cobrando desse gestor a capacidade de  sentir compaixão; enfim, estamos exigindo dele a condição de ter compaixão.

Compaixão – definem os dicionaristas –  é a capacidade de ter sentimento piedoso para com a tragédia pessoal dos  outros,  acompanhado do desejo de minorá-la;

Compaixão é também a participação espiritual na infelicidade alheia que suscita um impulso altruísta de ternura para com o sofredor.

Infelizmente não temos nada disso no Piauí.

Nada disso parece chamar a atenção do gestor público no Piauí.

A indiferença é de tal ordem, que parecemos até um João Batista clamando em pleno deserto à espera do dia em que virão cortar nosso pescoço, à espera do dia em que virão nos decepar a mando dos insensíveis, porém poderosos.

A pessoa sem sensibilidade, como se diz no popular, é uma pessoa que não ata nem desata. É uma pessoa que nega a mão a quem sofre e a quem precisa de amparo.

O gestor insensível é a mais pura negação do próprio homem.

O gestor insensível é aquela pessoa estagnada que não consegue solucionar nada, às vezes até mesmo por comodismo ou falta de iniciativa.

É uma pessoa que não faz qualquer menção de agir ou de ajudar.

É uma pessoa que cruza os braços ou faz corpo mole diante de determinadas situações colocadas sob sua responsabilidade.

A pessoa sensível é diferente. É aquela pessoa que sente emoção, que possui a faculdade de sentir compaixão, de sentir piedade.

E, sinceramente, como não se sensibilizar diante de fatos lamentáveis como o assassinato a sangue frio deste empresário pai de família abatido quando chegava ao seu empreendimento?

Marcelo Amorim, de apenas 43 anos, é apenas e tão somente mais uma vítima do próprio estado, vítima de um estado que não garante segurança a seus moradores; um estado que diariamente permite a destruição de lares, permite a destruição de famílias inteiras.

E permite tudo isso exatamente porque falta sensibilidade de seus gestores,

Até agora ninguém do governo se mostrou indignado ou revoltado com essa situação.

Preferem adotar o silêncio cúmplice próprio daqueles omissos insensíveis e sem compaixão e que se consideram imunes e acima de tudo isso, mas que, na verdade, são apenas pessoas sem almas.

São pessoas vazias.

E pessoas vazias, como diz a cantora Ana Carolina, são corpos sem alma, não tem essência que desperte interesse, não tem sentimentos que tirem o fôlego – meras embalagens.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (11.07.18)

09:01

Por que tem que ser assim?

Ensinam os especialistas que se você deseja alcançar um objetivo de forma rápida e eficiente, o melhor recurso é utilizar o planejamento.

Com o planejamento você obtém mais clareza e visão para a tomada de decisão.

Isso vale tanto para as empresas privadas como para o governo.

O planejamento, mesmo de forma simplificada, oferece mais chances de se alcançar um objetivo, de se alcançar uma meta.

Ao se planejar, no entanto, você tem que eleger prioridades.

É preciso que a pessoa eleja aquilo que considera mais importante, aquilo que deve vir primeiro.

O governo, por exemplo, ao adotar o planejamento e eleger suas prioridades tem muito mais chances de atingir metas e de cumprir promessas.

É fato que uma vez adotada a prática do planejamento estratégico, o poder público ganha inúmeros benefícios, como a segurança e a certeza daquilo que está fazendo.

Numa época de recursos limitados e que precisam ser utilizados de maneira racional, o planejamento é indispensável.

Improvisar nesta área pode ser fatal, pode ser a verdadeira bancarrota.

Tudo isso para chegar ao Piauí.

O Piauí é reconhecidamente um celeiro de bons técnicos.

Mas peca por não usar o planejamento.

Peca por insistir no improviso oficial, onde agradar a uma liderança política é muito mais importante do que qualquer outra coisa.

E a prova está aí, à vista de todos.

O Piauí não tem projetos para o futuro, não tem algo que possa realmente transformar essa nossa triste realidade de eternos pedintes, de eternos dependentes de dinheiro federal.

Ao incorrer no erro do improviso, o Piauí não vem conseguindo avançar em nenhuma direção.

E ao não conseguir avançar em nenhuma direção provoca uma espécie de atrofiamento do futuro.

A população piauiense é testemunha disso.

Todos nós somos testemunhas disso.

Planejamento e prioridades são fundamentais para o sucesso de qualquer empreendimento.

É preciso que os governantes abram bem os olhos para esta questão.

Continuar no improviso vai nos manter sempre como o estado brasileiro que mais depende do Bolsa Família para sobreviver.

Depender do Bolsa Família ou de qualquer outro programa social para sustentar mais da metade da população do estado não pode ser considerado avanço.

O Bolsa Família pode ser compreendido numa situação emergencial, não numa situação permanente como essa que estamos vivendo.

Ajudar os mais pobres não é torná-los reféns de uma situação de dependência absoluta.

Ajudar os mais carentes é garantir a sua subsistência, é verdade, mas é também abrir caminhos para que eles possam caminhar com as próprias pernas.

*Divulgado originalmente em 6 de dezembro de 2017.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (10.07.18)

08:31

Nós, os ingratos

Uma das máximas do futebol é bem clara, aliás claríssima: quem não faz, leva.

O Brasil não fez e está voltando mais cedo da copa da Rússia. Infelizmente.

O Brasil está voltando e deixando enterrado nas estepes da Rússia misteriosa o nosso velho sonho do hexa.

No futebol é assim. Vence quem erra menos. O Brasil errou muito.

E no futebol tem dia que não adianta tentar. Não vai.

O Brasil, longe de seus melhores tempos, até que tentou.

Tentou e tentou. Mas não conseguiu superar a Bélgica.

Não conseguiu superar logo a Bélgica, um time que do alto dos nossos cinco títulos mundiais a gente já tinha colocado no caderno como freguês.

Era uma vitória tão certa que o Brasil já se preparava para massacrar a França, o adversário da semana seguinte.

E a Bélgica? Bom, a Bélgica era favas contadas. Vitória certa.

A Bélgica seria apenas mais uma seleção no caminho que se imaginava certo para a grande final.

Mas os brasileiros esqueceram que a bola, quando quer, sabe ser ingrata. E como sabe.

Não há lugar no mundo onde a bola seja tão adorada como no Brasil.

Todos nós reverenciamos a bola.

Seria até impossível viver no Brasil se não existisse a bola.

A bola faz parte da nossa família há séculos.

Mas nesta triste tarde de sexta, a bola que tanto amamos mostrou-se uma ingrata.

Quanta ingratidão!

A tarde de sexta foi uma daquelas em que não adiantava tentar. A bola não entrava.

Parecia birra.

O brasileiro chutava e a bola o que fazia? Batia na trave!

O brasileiro chutava de novo, com mais força, e a bola o que fazia? Ia diretinho para as mãos do goleiro adversário!

Não adiantava insistir.

Naquela tarde, simplesmente não entrava nada.

A ingrata, a bola, havia nos abandonado, havia nos dado as costas.

Mas, pensando bem… pensando melhor…

A verdade é que já tratamos a bola com mais educação, com mais fidalguia até.

Hoje, o tratamento realmente não é mais o mesmo.

Faltam os grandes jogadores, aqueles que entravam em campo por amor a camisa e ao país. Entravam em campo por amor ao povo brasileiro. E também entravam em campo por amor à bola.

Grandes jogadores que tratavam a bola como aquela velha amiga a quem sempre devemos reverências.

Jogadores maravilhosos, amantes da bola, que se contentavam em receber um humilde fusca como presente maior pela conquista de uma copa do mundo.

Jogadores espetaculares que não se rendiam ao encanto dos holofotes e nem mesmo ao brilho atraente do dinheiro.

Pensando bem… pensando melhor…

Talvez a bola não seja a ingrata da vez.

Ingratos somos nós, que esquecemos como tratar uma amiga, esquecemos como tratar uma verdadeira dama.

Fica a lição.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (09.07.18)

09:21

CLIMA & TEMPO

teresina, piaui
algumas nuvens
36 ° C
36 °
36 °
28%
2.6kmh
20%
seg
34 °
ter
33 °
qua
26 °
qui
26 °
sex
26 °