Chico Leal

Chico Leal

Perdoe-nos, pela inveja!

Ter inveja, ser invejoso é pecado.

E não é um pecado qualquer. A inveja é um pecado capital.

A Bíblia diz que Deus não gosta da inveja e se não gosta da inveja, naturalmente também não gosta do invejoso.

Tanto não gosta que colocou a inveja como um dos sete maiores pecados que o homem pode cometer.

A inveja está ao lado de pecados como a gula, a avareza, a luxúria, a ira, a preguiça e o orgulho.

Deus abomina esses pecados.

Todos eles, sem exceção.

A inveja é considerada pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas próprias bênçãos e prioriza o status de outra pessoa, no lugar do próprio crescimento espiritual.

Inveja é o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem e consegue.

Como disse o padre Fábio de Melo, inveja é um pecado capital porque é pior que a cobiça. O invejoso não deseja o que é do outro, apenas. Ele deseja também que o outro não tenha o que tem.

Mas como não sentir inveja?

Senhor, ensina-nos como viver no Piauí  e não sentir inveja dos outros.

Como viver num estado pobre, abundante em miséria, sem sentir inveja de quem tem?

Viver no Piauí e não sentir inveja dos vizinhos é tarefa impossível.

Os exemplos são muitos.

Nossos vizinhos Maranhão e Ceará possuem rodovias duplicadas, nós não.

Maranhão e Ceará possuem energia elétrica de qualidade, nós não.

O professor do Maranhão ganha mais de sete  mil reais, o do Piauí ganha cerca de 3 mil.

O Maranhão reduz impostos, aqui no Piauí só aumentam.

Maranhão e Ceará possuem bons aeroportos, nós não.

Maranhão e Ceará possuem portos, recebem navios, nós nem canoa.

O Ceará cresce, nós encolhemos.

Como não sentir inveja?

Como não ser invejoso numa situação dessa?

Como retirar do piauiense esse sentimento intrigante da inveja?

Perdão, Senhor, mas não há como!

Considere que é demais nos pedir isso.

Considere também a possibilidade de penalizar outros por essa nossa inveja doentia, afinal esse sentimento não nos ataca à toa.

Considere sinceramente penalizar quem ao longo dos tempos vem nos levando à essa condição ridícula de invejosos.

Pense nisso, Senhor.

O piauiense nem sempre foi assim.

O piauiense sempre foi um homem religioso e temente a Deus e que sabe que a inveja é pecado.

O piauiense sabe que a inveja é pecado gravíssimo, tão grave que pode nos negar até mesmo o acesso ao perdão.

Mas – repito – como não ser invejoso com a felicidade do vizinho que tem tudo enquanto se vive nessa triste situação de penitente a vida inteira?

A inveja – alguém já disse – caminha de mãos dadas com a frustração; e frustração, Senhor, também temos de sobra.

Perdoe-nos!

Opinião de Chico Leal 19.01.18

A discussão política é necessária

A discussão política é muito importante, muito importante mesmo.

Mas tudo ao seu tempo.

Tudo na hora certa.

No Piauí, por exemplo, discute-se política além da conta.

É uma discussão que ninguém sabe mais quando começou e muito menos quando vai terminar.

Além do mais, nossa discussão política é mais partidária. E na discussão partidária não há lugar para se discutir o que realmente interessa.

Na pauta da discussão partidária não existe vaga para se falar em qualidade de vida, em saúde ou educação;

Não há espaço para se discutir segurança pública, não há espaço para se estabelecer prioridades.

No Piauí, infelizmente, o interesse maior é saber hoje quem será eleito governador em 2022 e 2026, já que muitos consideram que a situação de 2018 está resolvida.

É saber quem serão os candidatos ao Senado Federal, à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa.

É uma discussão estéril, é uma discussão que não leva a nada, que não rende frutos.

Essa discussão ridícula só é boa para o governante de plantão.

É boa para o governo por que ela desvia o foco, tira a atenção das necessidades e dos problemas reais do estado.

Política é a arte de bem servir, mas de bem servir à população, não a si próprio.

Política não é a arte da enganação que muitos praticam no Brasil.

Política não é e não pode ser a arte da esperteza, como muitos pensam.

A discussão política que se faz necessária é a discussão que envolve o interesse público, é a discussão que coloca o interesse coletivo acima dos interesses pessoais, acima dos interesses de grupos.

É chegada a hora de mudar esse pensamento.

O Brasil e o Piauí exigem isso.

O Brasil e o Piauí exigem de cada cidadão que continuem discutindo política, mas a política do bem.

E a política do bem passa necessariamente por um debate democrático onde o cidadão, onde o brasileiro, onde o piauiense, possa ser colocado como o centro do discussão.

O Brasil e o Piauí exigem essa nossa mudança de comportamento na maneira de enxergar as coisas.

E não é só eleger alguém.

Não é só eleger um nome.

A política não se resume a isso.

Política exige participação e essa participação exige vigilância, exige fiscalização, exige cobrança.

Ao ajudar a eleger alguém você passa a ser responsável por essa pessoa, você se transforma num avalista.

E um avalista, como se sabe, tem responsabilidade solidária.

Ou melhor, você se transforma num devedor solidário.

É bom pensar nisso, enquanto é tempo.

 

Opinião de Chico Leal 18.01.18 

Na marra, não!

O Brasil vive uma situação esquisita, para não dizer outra coisa.

Nosso radicalismo exacerbado, motivado principalmente por uma política criminosa que estabelece o confronto de classes e não de ideias jamais será o melhor caminho para um país, seja ele de direita ou de esquerda.

Essa política do confronto, infelizmente, vem conseguindo impor ao Brasil uma situação de desordem generalizada, desordem essa que só nos encaminha rumo ao ódio e ao radicalismo.

Situação que em nenhum momento procura nos encaminhar para o lado da paz, para o lado da tranquilidade, para o lado da união.

O brasileiro não era assim.

O brasileiro sempre foi um cidadão pacato, de uma alegria contagiante.

Mas as coisas mudaram.

Mudaram e continuam mudando.

O brasileiro da pelada dos fins de semana, do bate papo com os amigos, já não é mais o mesmo.

Um radicalismo cheio de ódio está dividindo as pessoas e até as famílias.

E também está nos levando ao desrespeito puro e simples das leis.

Está nos levando ao flagrante desrespeito às leis. Estamos querendo impor nossas vontades, acima de tudo e de todos, quando nenhum regime democrático do mundo aceita isso.

Estamos querendo resolver as coisas na marra e na marra não pode.

Estamos esquecendo, de forma inexplicável, que o país e nós também somos regidos por uma Constituição.

Estamos esquecendo que a Constituição é a carta magna de uma nação; estamos esquecendo que a Constituição é aquele conjunto de normas que rege a vida de todos e que exatamente por isso deve ser respeitada.

Esse comportamento idiota de lado a lado chegou ao ponto de querer absolver o ex-presidente Lula na marra; chegou ao ponto igualmente de querer condenar Lula na marra.

E na marra, repito, não pode.

Na marra não se absolve nem se condena ninguém.

A lei está acima de todos, independentemente da cor ou da raça.

Lula, como cidadão brasileiro, tem direito a um julgamento justo.

Mas, como cidadão brasileiro Lula também tem que prestar contas de seus atos.

E se errou vai ter que pagar por seus erros, como todo e qualquer cidadão brasileiro.

A deputada federal petista Luiziane Lins, ex-prefeita de Fortaleza, disse certa vez que “a linguagem que a gente entende não é a da justiça, da formalidade… é a das ruas, por que é assim que a gente aprendeu. Por que é assim que a gente foi talhada”.

Talvez agora tenha chegada a hora de aprender que na marra não pode.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (17.01.18)

O rabo alheio

Nos últimos tempos, no Brasil inteiro, tem-se falado muito em quadrilha.

Políticos – principalmente eles, os políticos – adoram falar em quadrilha.

Principalmente na quadrilha dos outros.

É quadrilha disso, é quadrilha daquilo…

Todo dia tem alguém falando em quadrilha.

Tem gente falando em quadrilha na Teresina FM, nos jornais, na televisão, nos portais e – como não poderia deixar de ser – nas esquinas.

Mas falar em quadrilha no Brasil de hoje é um negócio muito temerário, principalmente quando se quer acusar alguém.

Afinal, nos últimos tempos o que não falta ao Brasil é quadrilha.

Adotou-se, portanto, aquela política em que o ataque é a melhor defesa.

Se você me acusa, eu o acuso de volta e com isso  estamos sempre lavando roupa suja. É a história do sujo e do mal lavado, ou do roto e o esfarrapado.

Mas não é fácil atacar alguém, até mesmo pela abundância de alvos à disposição.

São muitos os alvos.

Mas nessas horas é bom lembrar sempre de um antigo ditado popular que recomenda que não se deve sentar sobre o nosso para falar do rabo alheio.

É um ditado antigo, como já disse, mas bem atual, bem apropriado para o momento que estamos vivendo.

Entre os que falam em quadrilha é recomendável também a leitura de João Capítulo 8, Versículos de 1 a 11:

“Os mestres da lei e os fariseus trouxeram a Jesus  uma mulher surpreendida em adultério.

Fizeram-na ficar em pé diante de todos  e disseram: “Mestre, esta mulher foi surpreendida em ato de adultério.

Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. E o senhor, que diz? ”

Jesus respondeu: “Se algum de vocês estiver sem pecado, seja o primeiro a atirar pedra nela”.

Ninguém atirou.

Não por falta de vontade. Vontade eles tinham de sobra.

Não atiraram porque faltou-lhes uma coisa chamada moral.

Devia servir de lição essa passagem do Evangelho de João.

Afinal, no Brasil varonil de nossos tempos é praticamente impossível apontar o dedo apenas para uma pessoa, é impossível apontar o dedo apenas para um lado.

Pelas revelações da Polícia Federal, do Ministério Público e da própria Justiça, apresentadas ao longo dos últimos anos,  quadrilhas, as temos de sobra.

E não apenas de um lado.

Quadrilha – aquela quadrilha formada por um conjunto de pessoas má intencionadas que se reúnem de forma organizada para cometer crimes – realmente temos de sobra.

Sendo assim – e só assim – é possível associar-se num único artigo o macaco com seu rabo e o Evangelho de João.

Marcus Quintilianus, um professor de retórica na Roma Antiga, já dizia que é muito mais fácil acusar que defender, assim como é mais fácil causar um ferimento que curá-lo.

A pura verdade de um Brasil sem verdades.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (16.01.18)

O que vem por aí

2018, que só começou, promete ser um daqueles anos para brasileiro nenhum botar defeito.

Um ano para piauiense nenhum botar defeito.

Só feriados nacionais, aqueles feriados que valem para todos os estados brasileiros, serão pelo menos 12.

Não precisa gostar de matemática para perceber que vai dar um feriado para cada mês do ano.

Isso sem contar com aqueles três ou quatro feriados regionais, que ninguém também dispensa.

Teremos feriados caindo na segunda, na terça, na quinta e na sexta-feira.

Isso significa também que teremos muitos feriadões à vista.

Já é possível ouvir a barulheira dos carros congestionando a BR de acesso ao litoral.

Já é possível até ver o litoral lotado.

Já é possível sentir a alegria de todos, sentir a euforia de uma gente que pouco está ligando para a carestia que impera nesses períodos.

Mas vamos em frente, que o ano promete muito mais do que simples feriados.

Daqui a menos de um mês já é carnaval.

E carnaval se não for feriado pouco importa. Ninguém trabalha mesmo.

Quarenta dias depois do carnaval já é a páscoa.

Páscoa significa Semana Santa, significa aquelas viagens para o interior, para matar a saudade daqueles que por lá ficaram; significa também mesa farta;.

Significa, mais uma vez, deixar o trabalho e a crise de lado, pois ninguém é de ferro.

Sigamos em frente.

Sessenta dias depois da Semana Santa já estaremos na Rússia.

Na Rússia, pode até ser que não, pode parecer exagero.

Mas com certeza estaremos todos nós grudados na frente da TV acompanhando o Brasil em mais uma copa do mundo.

Futebol, afinal, apesar de todos os reveses, continua sendo a grande paixão nacional.

Logo depois da copa chegaremos a mais uma paixão nacional: chegaremos às eleições.

O brasileiro pode até viver sem futebol, mas sem eleição ele não vive.

Não vive mesmo. E o piauiense é um exemplo disso.

Tanto não vive que mal acaba uma eleição e já estamos falando na outra.

Aqui já estamos falando hoje da eleição de 2026, só para que se tenha uma ideia do tamanho dessa paixão.

Participar de uma eleição, pelo menos no Piauí, é uma farra só.

Para muitos são mais dois ou três meses sem trabalhar.

Depois das eleições, em outubro, nada como uns dias de férias para recuperar as forças.

Na volta, com certeza, já vamos querer saber o dia do pagamento do 13º salário, por que a vida precisa continuar.

Aí já é Natal.

E com isso lá se vai o ano de 2018 e lá vamos nós festejar a chegada de 2019.

Com tanta ocupação, em 2018 com certeza não vamos ter tempo para falar em crise.

Aliás, não vamos ter tempo nem mesmo para pensar em crise.

Porque o brasileiro é assim.

Porque somos assim.

Porque o Brasil é assim.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (15.01.18)

Uma lição de humildade

Charles Spencer Chaplin, ou Charles Chaplin, ou simplesmente Carlitos – o adorável vagabundo das aventuras hilárias do cinema mudo em nossos inesquecíveis tempos de criança – disse certa vez que a ambição envenenou a alma dos homens, ergueu um muro de ódio ao redor do mundo, nos atirou dentro da miséria e também do ódio.

Ensinou-nos que desenvolvemos a velocidade, mas nos fechamos em nós mesmos; Ensinou-nos que as máquinas que trouxeram mudanças, nos deixaram desamparados.

Chaplin nos mostrou também que nossos conhecimentos nos deixaram cínicos e que nossa inteligência nos deixou duros e impiedosos.

Mostrou-nos que pensamos demais e sentimos muito pouco.

Mostrou-nos que mais do que maquinas, nós precisamos de humanidade; mais do que inteligência, precisamos de bondade e compreensão.

Sem estas qualidades – disse Chaplin –  a vida será violenta e estaremos todos perdidos.

Charles Chaplin morreu há 40 anos, quando tinha 88 anos de idade.

Morreu exatamente no dia de natal.

Além de ator, foi diretor, produtor, humorista, empresário, escritor, comediante, compositor, dançarino e roteirista.

Apesar de sua vasta obra, Charles Chaplin nos chama a atenção neste momento para os seus ensinamentos de vida.

Sábios ensinamentos que, se seguidos por todos, com certeza nos teriam levado por outros caminhos, caminhos bem diferentes dos que acabamos trilhando.

Este sábio inglês nos ensinou o caminho da tolerância e da paz; ensinou-nos o caminho do amor, da bondade e da compreensão.

Ensinou-nos, enfim, as virtudes da vida.

Mas a verdade – a grande verdade – é que o homem embruteceu seu coração.

Nós endurecemos nossos corações.

Endurecemos o coração ao ponto de não saber discernir mais o que é bom e o que é ruim.

Não sabemos mais o que é o bem e o que é o mal.

E na maioria das vezes em que agimos, a nossa ambição desenfreada nos remete sempre ou quase sempre para o lado do mal.

Carlitos, o vagabundo criado por Chaplin para o cinema mudo, tentou nos mostrar, através de sua mímica, através de gestos, simples, o caminho do bem. Ele nos mostrou um caminho a seguir.

Nós é que simplesmente o ignoramos.

Ignoramos ou simplesmente nos recusamos a aprender com ele.

A vaidade e a arrogância – tão próprias do homem – talvez não nos tenham deixado enxergar tudo isso.

Do alto da nossa suficiência com certeza sequer nos esforçamos em entender aquela mensagem.

Afinal – devemos ter pensado naquele momento – o que um vagabundo maltrapilho terá para nos ensinar?

Mas Gandhi – o grande líder indiano Mahatma Gandhi – ensina que o dinheiro faz homens ricos, o conhecimento faz homens sábios, mas a humildade faz grandes homens.

E Chaplin, pela sua humildade, foi, sem dúvida, um grande homem.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (12.01.18)

A política de sempre

No Brasil, pelo menos uma coisa não tem passado e nem presente. E o futuro, se existir, será sempre de sobressaltos.

Estamos falando da prática política, isto é, da maneira de fazer política.

Infelizmente vivemos hoje a mesma prática política de antigamente.

Nada mudou.

Desde a República Velha, que compreende o período de 1889 até 1930, continuamos praticando o mesmo tipo de política.

Continuamos aceitando a política do favor; continuamos aceitando a política da compra de votos, a política do emprego mais fácil.

Se na República Velha podia-se alegar a falta de informação num país agrário e sem comunicação, continuamos hoje – 90 anos depois – com a mesma desculpa.

Continuamos enxergando o eleitor como uma pessoa desinformada, manipulada e incapaz até mesmo de reconhecer um homem de bem.

Graças a isso, graças a essa cegueira coletiva, chegamos aonde chegamos.

E graças a isso, graças a essa cegueira coletiva, não conseguimos mais avançar.

Continuamos, como na República Velha, dando prioridade às oligarquias que preferem gastar seu tempo em projetos pessoais.

No Piauí, os exemplos são vários.

Graças a essa nossa cegueira coletiva conseguimos manter no topo sempre aquelas famílias que fizeram da política um meio de vida.

A nossa cegueira coletiva prefere o politico que ao chegar ao poder emprega toda a família, como se o estado fosse obrigado a sustentar a todos com o nosso dinheiro.

Continuamos dando preferência aqueles que na eleição seguinte querem eleger a mulher, querem eleger o filho, o pai ou o irmão.

E o pior: quando não elegem seus parentes passam a exigir que o governo os coloquem em bons cargos.

Pouco importa a situação financeira do estado.

O que importa mesmo é massagear o próprio ego.

É mostrar que tem força, pouco importando se o seu pimpolho ocupa apenas um cargo decorativo, um cargo que provoca mais risadas do que prestígio.

Num mundo globalizado como o que vivemos não mais é possível o eleitor manter-se nas trevas da ignorância política.

Não é mais possível, a estas alturas, alegar inocência nesse processo.

A informação hoje é um produto acessível a todos, muito diferente da época da República Velha.

Não há como se alegar desinformação como justificativa para continuar com aquele voto viciado em troca de um favor ou de um pequeno agrado em dinheiro.

Não podemos mais ser aquele exemplo de que se os porcos pudessem votar o homem com o balde de comidas seria eleito sempre, não importando quantos porcos ele já tenha abatido no recinto ao lado.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (11.01.18)

Voto consciente

Eleição – assim como conhecemos hoje no Brasil – é uma conquista da população brasileira.

A eleição no Brasil não é um presente, não caiu do céu.

A eleição no Brasil é uma conquista, é uma conquista do povo brasileiro, conquista que surgiu após anos e mais anos de muita luta.

Ela, a eleição, é resultado da luta do povo brasileiro.

Viemos de um tempo em que o voto era exclusivo dos ricos, dos fazendeiros.

E mesmo assim apenas para homens maiores de 25 anos.

Desde essa época, desde o Império, desde a época dos reis, o brasileiro já cobrava o direito ao voto livre para a eleição do parlamento imperial.

O brasileiro queria ter o direito de escolher seus representastes.

E queria escolher pelo voto secreto.

Para que se tenha uma ideia das dificuldades, só na década de 30 a mulher teve direito ao voto.

Mulher não votava, era proibida.

Foi a conta-gotas, mas conquistamos o direito ao voto livre e secreto.

Foi também no grito que reconquistamos o direito de votar quando esse direito nos foi tirado pela ditadura militar que se instalou no Brasil em 1964.

O voto, portanto, foi uma conquista que exigiu muito do povo brasileiro, exigiu até o sangue de muitos de nossos antepassados.

Ainda hoje o voto continua exigindo muito de todos nós.

Não podemos, pois, continuar decepcionando aqueles que tanto lutaram por essa conquista no passado.

Temos que honrar a memória dos nossos antepassados com o nosso voto.

Vamos honrar a memória dos que lutaram votando consciente.

Voto consciente que, aliás, é a grande exigência do ato de votar.

Vamos usar a nossa consciência como arma de defesa para as armadilhas que os espertos com certeza tentarão colocar em nosso caminho.

Esperteza, afinal, é o que não falta aos nossos políticos.

Numa democracia – como já disse – o voto tem uma importância fundamental.

Além de ser um ato de cidadania, votar é um gesto que vai definir o futuro não apenas de quem vota, mas de toda a população brasileira.

É com o voto, é com esse simples ato de votar, que vamos dizer o que queremos e quem queremos.

É com este simples gesto de votar que vamos aprovar ou reprovar o que vem acontecendo em nosso país.

É com o simples ato de votar que vamos concordar ou não com o descalabro instalado no Brasil.

Por ter essa importância toda, o voto tem que ser uma coisa pensada, bem pensada.

Tem que ser uma coisa bem analisada, estudada.

Afinal, só com o voto podermos mudar tudo isso.

Não com um voto qualquer, mas com um voto verdadeiramente consciente.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (10.01.18)

Pena de morte

Em nove anos – diz o jornal Folha de São Paulo – o apoio da população à aplicação da pena de morte no Brasil cresceu.

Recente pesquisa Datafolha revela isso.

Revela que 57% dos entrevistados se disseram favoráveis à adoção da pena capital.

Em 2008, data da última pesquisa do instituto sobre o tema, 47% tinham a mesma opinião.

Esse é o recorde numérico desde que a questão passou a ser aplicada pelo Datafolha, em 1991. Mas empata na margem de erro – de dois pontos percentuais, para mais ou para menos– com os percentuais de 1993 e 2007, quando 55% da população se disseram favoráveis à punição.

A pena de morte não é aplicada no país, embora esteja prevista no inciso 47 do artigo 5º da Constituição em período de guerra declarada, o que aconteceu pela última vez  na Segunda Guerra Mundial.

No Brasil – a história registra –  a última execução de um homem livre condenado à morte pela Justiça Civil aconteceu em 1861, na província de Santa Luzia, que deu origem à cidade de Luziânia, no entorno do Distrito Federal.

Um dado interessante: de acordo com a pesquisa, o apoio à pena de morte é maior entre os brasileiros mais pobres.

Entre os que ganham até cinco salários mínimos, o que corresponde a pouco menos de 5 mil reais, 58% querem a pena de morte.

Mas por que o brasileiro pensa assim?

Por que o brasileiro defende a pena capital para punir seus próprios irmãos?

Logo o brasileiro, tido mundo afora até pouco tempo como uma pessoa pacata, alegre e divertida, cujo único defeito estava em não gostar de trabalhar?

A verdade é que as coisas estão mudando.

E como estão mudando.

O pacato brasileiro, que aos olhos do mundo está virando uma fera perigosa, realmente está mudando.

Está mudando sem que ninguém demonstre interesse algum em querer identificar as causas dessa mudança.

Porque estamos mudando, por que estamos ficando violentos e agressivos?

Procura-se uma resposta.

Será que ao apoiar a pena de morte o brasileiro procura dar uma resposta à fragilidade do nosso aparelho de segurança? Ou procura demonstrar sua descrença na justiça?

Com certeza a opção pela eliminação pura e simples de um ser humano, como se defende hoje no Brasil, tem sim a ver com essa onda de violência que assola o país.

Tem a ver sim com essa triste realidade, tem a ver sim com o medo extremo que todos nós passamos a experimentar no dia a dia.

Que a violência extremada, aquela violência que ultrapassa todos os limites, tem alguma coisa a ver com isso, é fato.

Falta só aparecer alguém com coragem e determinação para querer reverter essa situação.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (09.01.18)

O milagre do mosquito

O Estado brasileiro garante em sua constituição o direito a todo cidadão de livre exercício dos cultos religiosos.

Com isso, a constituição nos assegura que o Estado brasileiro não tem uma religião oficial.

Toda e qualquer religião pode ser professada no território nacional.

E por não ter uma religião oficial, o Estado brasileiro é considerado um estado laico.

E exatamente por ser laico não pode, sob nenhuma hipótese, repassar dinheiro público para qualquer instituição religiosa, seja ela qual for.

Quem agir em contrário estará cometendo crime. E crime passível de punição.

Alguns estudiosos – abordados sobre essa questão da laicidade do estado brasileiro – chegaram à conclusão que foi em função dessa proibição que começaram a surgir associações e fundações ligadas a denominações religiosas em todo o Brasil.

O governo não pode passar dinheiro para as igrejas, mas a lei assegura que pode passar dinheiro público para essas associações e fundações.

O problema é que dificilmente se consegue distinguir uma coisa da outra.

Dificilmente se consegue distinguir onde termina um e começa o outro.

Dificilmente se consegue distinguir onde termina a igreja e onde começa a fundação.

Ambas – a igreja e a fundação – funcionam no mesmo endereço.

Elas se confundem, embora não se saiba ainda se com o objetivo de lesar o erário.

Estamos vivendo essa situação no Piauí.

Essa destinação de quase 700 mil reais do governo para a Fundação Filadelphia é um exemplo pronto e acabado.

É também um exemplo pronto e acabado de como andam funcionando as coisas por aqui.

Essa é uma questão que tem que ser investigada pelos órgãos responsáveis.

Ministério Público, Tribunal de Contas do Estado e outros mais estão devendo uma explicação para o silêncio e para a total ausência em relação a esse caso.

Ministério Público e Tribunal de Contas do Estado são uma espécie de vigias do uso do dinheiro público e assim sendo não podem se omitir.

A Secretaria de Educação, por sua vez, deve muitas explicações à população piauiense.

Tem que explicar como e baseado em que foi tomada essa decisão de presentear essa denominação evangélica com mais de 676 mil reais.

A Igreja Madureira e sua Fundação Filadelphia também têm que se explicar.

Tem que explicar, por exemplo, como uma igreja ou uma fundação lança mão de valores tão altos para ensinar a comunidade a se defender de um mosquito em um único bairro da capital e numa minúscula cidade dos arredores.

Tem que explicar como e onde foi feito esse serviço.

Tem que explicar, sobretudo, porque levaram quase dois anos para apresentar uma prestação de contas.

E tem que explicar também o fato de sua tesoureira não saber como entrou e nem como saiu tanto dinheiro do cofre que ela própria deveria tomar de conta.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (08.01.18)

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