Chico Leal

Chico Leal

Dinheiro público

O gestor público – seja ele quem for – não pode se sentir gravemente ofendido ao ser fiscalizado.

Fiscalizar o gestor público é uma obrigação de órgãos como Ministério Público, Tribunal de Contas e Assembleia Legislativa.

A fiscalização não pode ter data marcada.

A fiscalização deve ocorrer de forma permanente, independentemente de épocas ou de períodos especiais.

A fiscalização no uso do dinheiro público tanto pode ocorrer no Natal, no Anto Novo, na festa da padroeira, como pode ocorrer num período eleitoral.

Não há na lei nada que diga o contrário.

A fiscalização tem que ser um ato de rotina na administração pública e não pode ser recebida por nenhum gestor como um ato de perseguição.

Afinal, se o gestor aplica corretamente os recursos públicos de que dispõe por que temer uma fiscalização?

Nesses casos, a fiscalização é na verdade um atestado de honestidade ao gestor investigado.

A experiência nos ensina que quem não deve não teme.

Ao comparecer ao Ministério Público e ao Tribunal de Contas do Estado para protestar contra operações legais, operações amparadas por lei, o governador Wellington Dias deixou transparecer que teme.

Sim, o governador teme ser fiscalizado.

Ao se colocar como um governador democrático e dono de um governo transparente, ele jamais poderia afrontar o Ministério Público e o Tribunal de Contas chamando alguns de seus membros de perseguidores.

Ao contrário, deveria imediatamente abrir todas as portas de seus palácios à fiscalização pública. Fiscalizar e investigar, afinal, não é uma condenação antecipada. Pode ser até uma absolvição antecipada, pode ser um atestado de honestidade.

Convém lembrar que o dinheiro público usado pelo governo é o dinheiro do povo. É o meu dinheiro, é o seu, é o dinheiro dos seus amigos e de sua família. E, como legítimos proprietários desse dinheiro, temos que ser intransigentes com o seu uso.

Nós, contribuintes, não ficamos nem um pouco chateados ou melindrados com essas operações em repartições públicas. Ficamos satisfeitos.

Ficamos satisfeitos porque os fiscais, que também são pagos com esse dinheiro fruto dos impostos, começaram a enxergar coisas que o governo não via ou fazia questão de não ver.

Ficamos satisfeitos por que a impressão que fica é de que agora temos nossos fiscais.

Ao gestor ofendido e melindrado cabe tirar lições dessa experiência que considera perseguição de promotores e auditores às suas pretensões políticas.

A primeira delas, de que não existe governo transparente sem transparência.

A segunda e definitiva lição deve ser a que nos ensinou Shakespeare: Nenhuma herança é tão rica quanto a honestidade.

Chico Leal 

Esqueçam o caminho do rio

Um velho provérbio chinês ensina que não devemos simplesmente dar o peixe.

Devemos, isso sim, ensinar a pescar.

No limiar do governo Lula, em 2004, juntaram alguns programas oficiais já existentes e criaram o Bolsa Família.

E o Bolsa Familia surgiu exatamente dentro  desse contexto de que não devemos simplesmante dar o  peixe. Temos que dar o peixe sim, mas também temos que ensinar a pescar.

A ajuda emergencial tem que existir, evidentemente. E essa ajuda emergerncial é  exatamente o peixe que se dar.

O peixe é o primeiro alimento, o alimento que impede a desnutrição e a morte.

Mas o primeiro alimento, o primeirto peixe, não pode ser para sempre, não pode ser eterno.

Ao se transformar numa ajuda para sempre, o beneficiário do Bolsa Familia jamais irá procurar o caminho do rio para aprender pescar.

Nesses casos, o beneficiário do Bolsa Familia se transforma em parasita; se transforma num ser humano dominado pelo ócio.

O interior do Piauí é cheio desses exemplos.

Alguns fingem que não estão vendo, mas apenas fingem.

O beneficiário do Bolsa Familia transforma-se da noite para o dia numa espécie de desocupado oficial, que simplesmente recebe uma mesada apenas para garantir o voto, sempre que chamado, a determinadas correntes da politica brasileira.

Não se quer aqui condenar qualquer governo que socorra pobres.

O governo – qualquer que seja ele – tem essa obrigação.

É uma obrigação constitucional, até.

Ninguém quer pobre morrendo de fome.

Ao contrário, o que todos querem é que o pobre brasileiro viva com digninidade.

O que todos nós queremos é que o trabalhador brasileiro – o trabalhador piauiense incluido – deixe de viver de forma humilhante e passe a ganhar de forma digna o pão de cada dia.

Mas, voltando ao provérbio chinês…

Infelizmente no Brasil – e no Piauí não é diferente – o velho provérbio oriental não se aplica.

E não se aplica porque adoramos ficar com a boca torta pelo uso excessivo do cachimbo.

Estamos preferindo as migalhas oficiais a levantar, a sacudir a poeira e dar a volta por cima.

Estamos renegando a nossa vontade de melhorar de vida, estamos renegando a nossa vontade de vencer pelo nosso próprio esforço.

E isso não é bom, não é nada bom.

O brasileiro gostou tanto do peixe que recebe de graça e sem esforço,  que não se atreve a lançar seu prório anzol ao rio em busca de algo melhor.

A verdade é que de provérbios, preferimos mesmos é os nacionais, como aquele que diz:

Dê a um homem um peixe e ele vai pedir o molho tártaro e batatas fritas! Além disso, algum político que quer o seu voto irá declarar todas essas coisas para estar entre os seus direitos básicos.

Esquecemos realmente o caminho do rio.

Chico Leal 

Me engana que eu gosto!

Está cada vez mais difícil acreditar na indignação dos brasileiros.

Aquele brasileiro indignado, que se revolta com o mau feito dos políticos; aquele brasileiro que protesta contra a corrupção e defende ardorosamente a Operação Lava Jato, só pode ser ficção, só pode ser uma miragem.

Infelizmente não temos como pensar o contrário.

As pesquisas eleitorais realizadas recentemente em todo o Brasil apontam como favoritos vários candidatos à reeleição envolvidos até o pescoço com atos de corrupção, formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

São parlamentares de vários partidos, todos eles processados ou denunciados junto ao Supremo Tribunal Federal – por conta do tal foro privilegiado –  que estão surfando nesses levantamentos eleitorais tão comuns nesta época.

Não podemos esquecer que se eles lideram as pesquisas é porque o eleitor está dizendo que vota neles.

O eleitor está referendando esses nomes, não tenham dúvida sobre isso.

Isso quer dizer que pelo menos parte dos brasileiros indignados e revoltados com a corrupção no Brasil pretende votar nos corruptos que abomina.

É difícil acreditar, mas é essa a verdade que começa a despontar no horizonte eleitoral do Brasil. E do Piauí também.

Se as eleições fossem hoje, se fossem neste momento, pelo menos seis senadores com alto grau de comprometimento com a Operação Lava Jato estariam reeleitos.

Depois, como reclamar da corrupção e dos corruptos?

Depois como reclamar do deputado ou do senador?

Ninguém está sendo enganado nesta história. Quem entra sabe muito bem o que está fazendo e sabe muito bem porque está entrando.

Quem entra com certeza tem pleno conhecimento de seus gestos.

E o brasileiro que adora ser enganado, depois não vai poder lamentar que foi enganado mais uma vez.

O voto, repito pela milésima vez, é um agente transformador.

Mas o voto só funciona como agente transformador se ele for dado com este objetivo.

O voto para ser um agente de mudanças tem que partir de quem realmente quer mudança.

O voto transformador jamais partirá de um eleitor que se encanta com o brilho intenso de propostas tentadoras.

A esses que se encantam com o brilho reluzente dos agrados, o que menos interessa é a mudança. Eles não querem a mudança do país, no máximo querem mudanças pessoais.

A vinte dias da eleição ainda é possível mudar.

O eleitor ainda tem tempo para refletir sobre a importância do voto, sobre a importância do seu voto.

Martin Luther King, notável defensor da igualdade racial nos Estados Unidos, dizia que o dia do voto é sempre o dia certo, o dia certo de fazer as coisas certas, da maneira certa. Depois será tarde.

Pensemos nisso enquanto ainda há tempo.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (18.09.18)

08:55

A corrupção nossa de todos os dias

Continuamos bem diferentes do resto do mundo.

E pelo visto vamos continuar bem diferentes do restante do mundo ainda por muito tempo.

O piauiense tem sido surpreendido nos últimos tempos por operações policiais que têm como alvo o próprio governo do estado.

Foram três operações nos últimos dias, sinal de que a polícia está, não só vigilante, mas de olho grudado em peixes de patentes superiores,  está de olho nos chamados peixes graúdos, não apenas nas piabinhas inofensivas que ultimamente têm desfilado pelos programas policiais.

Palmas para a polícia.

Mas há algum mistério em tudo isso.

Como se explicar, por exemplo, que a corrupção no Piauí não tenha um corrupto?

As operações policiais quando prendem alguém – quando prendem! – o colocam imediatamente na rua.

No restante do Brasil, quando a polícia prende alguém por corrupção já o leva algemado.

Aqui é diferente, bem diferente.

A corrupção no Piauí nunca tem uma cara.

O corrupto não aparece.

O próprio governo se encarrega de proteger o seu lado. A investigação nunca é contra o governo – diz sempre uma nota oficial –  é contra empresas. Sempre contra empresas.

O Piauí talvez seja o único lugar do mundo onde os empresários entram nos órgãos públicos, fraudam licitações e nenhuma autoridade vê.

Como explicar a ausência do gestor em tudo de ruim que acontece no governo?

A população piauiense quer saber.

Quer saber, por exemplo, o nome de quem permite que processos licitatórios andem de mão em mão com tanta facilidade e também o nome de quem  garante a esses fraudadores tanta desenvoltura.

Até parece que essas repartições públicas alcançadas pela força da lei são repartições abandonadas à própria sorte.

São repartições que não possuem gestores; são repartições onde as coisas acontecem porque têm que acontecer mesmo, sem necessidade da interferência humana.

Apesar das operações e até de prisões, ninguém foi exonerado do cargo.

E quanto mais alto o cargo mais difícil fica de se ver alguma providência punitiva em relação a essas autoridades.

Lamentavelmente o assalto aos cofres públicos no estado do Piauí está deixando de ser uma exceção para se transformar em regra.

É impossível continuar com esse processo, que até bem pouco tempo imaginava-se só existir na Operação Lava Jato e seus derivados.

A corrupção que um dia imaginamos tão longe do nosso terreiro já está no nosso quintal, atacando nossos poleiros, atacando os ninhos de nossas galinhas e comendo seus ovos.

A corrupção é intolerável.

Mas intolerável também é fazer de conta que  nada demais está acontecendo ao nosso redor.

Intolerável é saber que estão levando o dinheiro público e querendo nos fazer de bobos.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (17.09.18)

09:35

A cachaça

Hoje, 13 de setembro, é dia de um dos nossos maiores símbolos, um símbolo ao qual devemos render homenagens sempre, embora de forma moderada.

Hoje, celebra-se em todo o Brasil o Dia Nacional da Cachaça.

Pois é.

A cachaça também tem um dia para chamar de seu, um dia para ser louvada, embora ela já seja louvada diariamente sem a necessidade de uma data específica.

Nada mais brasileiro do que a cachaça nossa de cada dia.

Dizem até – imaginem só! – que cachaça é cultura. Dizem até – imaginem só! –  que a cachaça representa a verdadeira identidade verde-amarela.

Como costumamos dizer nos bares da vida, é muita onda. É muita onda realmente.

A cachaça é tão brasileira que é cheia de apelidos. Igualzinho ao brasileiro, que adora colocar apelido nas pessoas.

Cachaça é aguardente, é pinga, abrideira, apaga tristeza, é também a que matou o guarda.

Cachaça é bafo de onça, bagaceira, canicilina, capote de pobre, catiguenta, é chora menina e desmancha samba.

Cachaça é xodó, é fogosa e forra-peito; é goró e iaiá me sacode.

Cachaça é levanta velho, limpa goela, é marvada e mata paixão.

É pau de urubu, é quebra munheca, é veneno, é venenosa; é xarope dos bêbados.

Muitos sentem uma verdadeira adoração pelo álcool, pela cachaça.

Chegam a dizer que quem passa álcool nas mãos fica imune a várias bactérias, mas quem bebe fica quase imortal.

Quem bebe é sempre espirituoso, quando não rico.

Às vezes mentiroso. Uns mentem mais, outros mentem menos, mas a mentira, aquela mentira inocente, também faz parte.

É verdade, sempre aparece alguém que logo depois da primeira talagada começa a revelar bens inexistentes e parentesco com pessoas importantes que sequer o conhecem.

Mas isso tudo é diversão.

A cachaça é motivo de prazer, é a atração principal dos encontros nos finais de semana, é a coroação de uma pelada com os amigos.

Enfim, a cachaça é motivo de alegria.

A cachaça é responsável por boas gargalhadas, não tenham dúvida. A cachaça anima o espírito e o bêbado de espírito animado é palhaçada garantida.

Independentemente de classe social, o bêbado é um palhaço, às vezes uma criança.

O bêbado e a piada são coisas indispensáveis nessas rodas de alegria e diversão que se formam, geralmente nos fins de semana.

Rodas que, como a cachaça, fazem parte da vida de muitos.

Mas o bom senso recomenda a todos que devemos beber com moderação.

E se for beber não dirija.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (13.09.18)

08:20

Respeito

Fala-se muito em respeito.

Mas, como dizem, falar é fácil. É muito fácil.

Difícil mesmo é fazer, é praticar.

Na hora de praticar o ato de respeitar há sempre um complicador e geralmente nos agarramos a ele.

O respeito é um dos valores mais importantes do ser humano e tem grande importância na interação social.

O respeito impede que uma pessoa tenha atitudes reprováveis em relação a outra. Muitas religiões abordam o tema do respeito ao próximo, porque o respeito mútuo representa uma das formas mais básicas e essenciais para uma convivência saudável.

Uma das importantes questões sobre o respeito é que para ser respeitado é preciso saber respeitar, o que em muitos casos não acontece.

Respeitar não significa concordar em tudo, significa sim não discriminar ou ofender essa pessoa por causa da sua forma de viver ou suas escolhas.

Respeitar é colocar distância diante da visão diferente de outra pessoa. O respeito, portanto, nos ajuda a não julgar as pessoas pela sua escolha ou opinião.

Respeitar é considerar a outra pessoa nas suas diferenças individuais, não esperando que esta seja de outra forma, que opine ou que se comporte de forma diferente.

Respeitar é perceber que cada pessoa tem direito de escolher ser quem ela realmente é, na sua forma de pensar, de opinar, de sentir, de agir e nos seus gostos e preferências de vida.

O respeito se expressa quando não se julga a outra pessoa pela sua visão, decisão, comportamento, ou forma de vida. A pessoa não é censurada nem recriminada por ser como é, e também não se espera que ela seja de outra forma.

O respeito é um sentimento que leva à obediência.

Respeitar as pessoas é respeitar a si mesmo. É respeitar as diferenças dentro de seu contexto e do seu limite.

Respeite as pessoas do jeito que elas são. Boas, amargas, sem paciência, autônomas, solteiras, casadas, enroladas, sem noção, porque tudo tem uma explicação. Se estiverem no caminho errado, a própria vida vai mostrar o certo e dar a lição.

Seu dinheiro e sua posição social não lhe fazem melhor do que os outros e não vão lhe salvar.

Como se diz, cuidado com a forma como vive porque a mesa é farta, mas a fome pode ser grande.

Lembre sempre que aquele que reconhece o valor de alguém pelas batalhas que enfrenta e não pelo que aparenta, jamais será uma pessoa preconceituosa.

Respeitar as diferenças, como diz o poeta Augusto Branco, começa por aceitar que as pessoas pensem diferente de você.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (12.09.18)

08:22

As pesquisas e a verdade

Alguém seria capaz de inflar seus próprios números em pesquisa eleitoral?

Um candidato seria capaz de determinar a um instituto que promova sua própria escalada nessas sondagens de opinião?

No mundo em que vivemos há sempre alguém capaz de qualquer coisa. Os fatos atestam isso.

Mas o problema maior não é este. O problema é saber por que alguém faz isso, se é que alguém realmente faz isso.

Ao fazer isso o candidato pode até está  enganando o eleitor, passando uma imagem que não existe, mas o primeiro enganado é ele, o próprio candidato.

Sem falar que quem age assim está cometendo uma fraude. E fraude é crime, inclusive no Brasil, por mais incrível que isso possa parecer.

Não se trata aqui de desvalorizar pesquisas. Ao contrário, a pesquisa é um importante instrumento em qualquer campanha eleitoral, desde que seja conduzida de maneira correta e de forma honesta.

A pesquisa é um útil instrumento de orientação ao candidato, sem dúvida.

E por ser importante e muito influente em todo processo eleitoral exige uma maior fiscalização por parte da justiça.

A pesquisa eleitoral, queira ou não, mexe com a mente de muitos eleitores.

Mexe principalmente com a mente daqueles eleitores que costumam votar em quem está na frente nas pesquisas eleitorais, mesmo que não tenha qualquer afinidade com ele.

A pesquisa, portanto, pode assim alterar resultados a partir do poder que exerce sobre determinada faixa do eleitorado.

A pesquisa eleitoral deve ser apenas uma informação a mais sobre a eleição, mas, infelizmente nem todos aceitam assim.

Para  muitos, os números das pesquisas se apresentam como fato consumado. São divulgados como se a eleição estivesse definida a favor de A ou B.

O eleitor, sobretudo o eleitor piauiense, precisa entender que entre  a pesquisa e a eleição  existe uma coisa muito importante, sem o qual ninguém se elege.

Entre a pesquisa e a eleição existe o voto; existe o seu voto.

Quem elege é o voto. E o voto é seu e de mais ninguém. Só você pode dispor do seu voto, ele é intransferível e deve representar a sua vontade.

O voto, aliás, tem que ser a representação de sua vontade,  nunca a manifestação da vontade de terceiros.

Rui Barbosa disse certa vez que ninguém é suficientemente competente para governar outra pessoa sem o seu consentimento.

O voto tem que ser consciente, fruto do seu desejo, da sua vontade, para que possa representar a sua efetiva participação nos destinos do seu estado e do seu  país.

Como disse o líder indiano Mahatma Ghandi, o futuro dependerá daquilo que fazemos no presente.

Não esqueça isso.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (11.09.18)

08:41

Esse ódio não é nosso

O atentado ao candidato Jair Bolsonaro, sem dúvida, foi um ato grave, muito grave.

Foi um atentado contra nossa democracia, que mais uma vez mostra sua fortaleza e quanto ela está consolidada no Brasil.

Menos mal.

A democracia só é realmente uma democracia quando ela é posta a prova e resiste como aconteceu agora em Juiz de Fora, cidade do interior mineiro.

Mas o atentado ao presidenciável não deve chamar a nossa atenção apenas para o ato em sim.

Também deve chamar nossa atenção a questão do radicalismo que se instalou no Brasil.

Devemos sim voltar nossa atenção para a questão da  intolerância que de repente tenta fazer morada entre nós, como se fôssemos velhos conhecidos.

Devemos voltar os olhos para essa intolerância imbecil que não combina em nada com o povo brasileiro.

Afinal, o brasileiro não é assim, ou não era assim.

O brasileiro sempre foi um homem cordato, um homem sensato.

O brasileiro sempre foi um homem cordial, de cultivar amizades, de ter muitos amigos.

O brasileiro sempre foi um homem de riso fácil.

E isso é que nos intriga.

De repente o brasileiro deixa de ser aquele homem afável para se tornar um homem raivoso, passa a ser um homem que deixa de pregar a paz para pregar o ódio e a violência.

Definitivamente este não é o brasileiro e este não é o Brasil. Pelo menos o brasileiro e o Brasil que conhecemos.

Quando o Brasil mais precisa de paz e de união, eis que surge uma fonte para alimentar o ódio entre as pessoas.

E o pior, essa fonte, pelo visto, nunca seca, só enche. É uma fonte que se alimenta da sua própria intolerância, de seu próprio ódio.

Devemos nos preocupar muito com o atual estágio da vida nacional.

O Brasil já sangra há muito tempo, mas ninguém parece preocupado com isso.

O país se esvai e ninguém está interessado em conter esse sangramento; entramos numa situação onde boa parte da população acha que o melhor mesmo é deixar o país morrer à mingua.

Mas uma coisa tem que ficar bem clara.

Esse ódio e essa intolerância não nos pertencem.

Não queremos isso.

Até porque eles não se ajustam hoje e nunca se ajustarão ao nosso perfil.

O brasileiro de verdade, o brasileiro honesto e trabalhador, sabe que só viveremos melhor no futuro  com um país mais justo e mais equilibrado.

Não há outra receita para se chegar ao nosso objetivo tão desejado.

Até porque temos a certeza de que o ódio e a intolerância jamais nos levarão a um porto seguro.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (10.09.18)

09:50

O de sempre

O texto é o mesmo. Se o país não mudou, por que mudar o texto?

Temos que insistir, temos que apostar e acreditar que água mole em pedra dura tanto bate até que fura.

O Brasil é um país independente há 196 anos.

A independência, como nos conta a história, ocorreu no dia 7 de setembro de 1822, quando Dom Pedro, às margens do riacho Ipiranga, em São Paulo, gritou a célebre frase “Independência ou morte”.

Grito e frase, aliás,  questionados até hoje, talvez não pela sua veracidade, mas pela maneira como aconteceu.

A independência do Brasil foi uma independência que não provocou muitas mudanças políticas à época, até mesmo porque Dom Pedro já governava desde a volta de seu pai para Portugal, no dia 26 de abril de 1821.

Mas, o fato é que, apesar de todos os tropeços iniciais, somos um país independente.

Ou pelo menos quebramos aquelas correntes que nos prendiam a Portugal.

Dizem até que rompemos com Portugal e nos tornamos inteiramente dependentes da Inglaterra, que decidiu nos financiar em troca de muitos favores.

Mas somos independentes politicamente; bom ou mal temos o nosso próprio governo, temos autonomia para cuidar de tudo o que ocorre no nosso território e podemos até escolher o regime político que nos convenha. E tudo isso sem necessidade de se recorrer a ONU.

Mas a palavra independência representa muito mais do que isso.

Independência representa também a vontade, representa o desejo de muitos nos mais diferentes setores.

Independência, na verdade, é uma coisa perseguida por todos.

É uma coisa que todos querem.

As crianças, por exemplo, querem ser independentes; os adolescentes querem ser independentes;

Os jovens, os adultos, os velhos, enfim, todos querem ser independentes;

Ao seu modo, cada um quer ser independente.

Todos querem ser independentes porque a liberdade gera o sentimento de bem-estar.

Mas a independência tem que gerar também responsabilidades.

Responsabilidades que vão muito além daquela sensação de poder fazer tudo o que se quer.

Dom Pedro, ao tornar o Brasil independente, assumiu, chamou para si, a responsabilidade por tudo o que poderia acontecer dali por diante.

Então o adolescente, o jovem, o adulto, ao se julgar independente, também assume a responsabilidade pelo que vier pela frente.

Responsabilidades até mesmo pelo país.

E é exatamente essa responsabilidade, esse compromisso com Brasil que está faltando.

Nossos jovens – com as evidentes exceções, é claro – não esboçam mais nenhuma ação de civismo, não festejam mais a independência do país.

Não se comemora mais a Semana da Pátria com a esfuziante alegria de outrora. Festejam somente a sua própria independência e isso não é bom.

Não é nada bom.

O país, qualquer que seja ele – e o Brasil não seria diferente – necessita de seus jovens, de seus adolescentes; precisa das crianças e de seus velhos.

Precisa do amor de todos.

Infelizmente, parece que estamos esquecendo o Brasil.

Estamos, infelizmente, esquecendo a nossa pátria.

Chico Leal – Opinião Jornal da Teresina I Edição (07.09.18)

08:48

Correção

Assessores de Marcelo Castro andam preocupados com seu desempenho nas pesquisas.

O crescimento tem sido lento o que coloca o candidato do MDB a 10 pontos percentuais de seu parceiro Ciro Nogueira, o segundo colocado.

E a quase 20 pontos percentuais do líder Wilson Martins. (CL)

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