Domingos Bezerra

Domingos Bezerra

A polêmica da pena de morte

Ontem, ouvinte sugeriu que os bandidos contumazes devem ser mortos porque para eles não há cura.

Buscamos algumas informações sobre a pena de morte no mundo e no Brasil. No G1 de 12 de abril deste ano coletamos alguns dados que passamos a seguir.

“A China é o país que mais aplica a pena de morte em todo o mundo e executou, em 2017, mais condenados do que todos os outros países somados, afirma o levantamento anual da ONG Anistia Internacional (AI)”.

“Os números da China não foram precisados no estudo, em razão das dificuldades de reunir dados no país, onde as condenações à morte são consideradas segredos de Estado. A Anistia, porém, acredita que milhares de execuções e proferimentos de sentenças de morte tenham ocorrido no país em 2017.”

“O levantamento registrou 993 execuções em todo o mundo em 2017. Excluindo a China, a Anistia diz que 84% das execuções documentadas no mundo ocorreram no Irã, na Arábia Saudita, no Iraque e no Paquistão. Alguns países chegaram até mesmo a retomar a aplicação da pena de morte em 2017. Entre eles estão Bahrein, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.”

“Embora os números de 2017 ainda sejam altos, são 4% menores do que em 2016, quando a organização de direitos humanos registrou 1.032 mortes. Em 2015, foram 1.634 execuções – maior registro desde 1989.”

“O especialista em pena de morte da Anistia Oluwatosin Popoola apresenta ressalvas. O declínio se deve ao fato de que três países que estão no topo daqueles que mais aplicam a pena de morte no mundo – Irã, Arábia Saudita e Paquistão – executaram oficialmente menos pessoas.”

“As razões por trás dessas quedas nesses países são variadas. “No Irã, por exemplo, a queda pode ser atribuída a reformas judiciais por crimes relacionados às drogas”, disse Popoola à DW.”

“Ainda assim, a organização adverte que esses registros não contam toda a história: eles são baseados em um número mínimo, ou seja, aqueles que puderam ser confirmados sem sombra de dúvida. O verdadeiro número de pessoas executadas pode ser mais alto. Ao todo, 23 países ao redor do mundo executaram condenados em 2017.”

“Globalmente, os países também estão sentenciando menos pessoas à morte. Em 2016, mais de 3.117 pessoas foram sentenciadas. Em 2017, esse número caiu para 2.591 em 53 países. No entanto, a Anistia registrou quase 22 mil casos de prisioneiros no corredor da morte em todo o mundo.”

“De acordo com Popoola, não há provas de que a pena de morte funcione como elemento de dissuasão para o crime.”

“Ao todo, 142 países aboliram a pena de morte em suas leis ou na prática. Segundo Popoola, os esforços agora devem ser concentrados em abolir a pena de morte nos países que ainda a adotam. Ele afirma que esses países “podem imediatamente impor uma moratória oficial sobre execuções com vistas a abolir a pena de morte” e “remover prisioneiros do corredor da morte”, colocando-os em condições normais de prisão.”

“Ele acrescenta que esses países poderiam também extinguir as leis que preveem a pena de morte porque “elas estão em descordo com leis internacionais de direitos humanos”.

Voltemos.

No Brasil, que não admite a pena de morte, a não ser em crimes militares em tempo de guerra, vez ou outra surge a polêmica em torno deste tipo de punição.

O certo é que precisamos qualificar a aplicação da justiça.

Domingos Bezerra Filho

Editorial do Jornal da Teresina 2ª Edição de 22.05.18.

 

 

É preciso regenerar a Nação

“A literatura e a política (…) cingiram como uma dupla púrpura de glória e de martírio os vultos luminosos da nossa história de ontem. A política elevando as cabeças eminentes da literatura, e a poesia santificando com suas inspirações atrevidas as vítimas das agitações revolucionárias, é a manifestação eloquente de uma raça heroica que lutava contra a indiferença da época, sob o peso das medidas despóticas de um governo absoluto e bárbaro”. Esta talvez seja a terceira vez que resgato as palavras acima, de Machado de Assis, publicadas em artigo de abril de 1858, em A Marmota, no Rio de Janeiro (RJ).

Transponho tais impressões para o campo político com o intuito de mirar o que está às vistas de todos, descortinar o presente caótico da dita sociedade civilizada atual, em que rebeliões em presídios, invasão de órgãos públicos, corrupção desenfreada nas várias esferas dos poderes constituídos, destruição de recursos naturais, prostituição de menores, trabalho escravo etc são diariamente noticiadas pela mídia.

Mas por que Machado de Assis num momento histórico em que se clama por transformações profundas nos costumes políticos? Por que Machado de Assis num estágio de falência do poder estatal, entendida tal falência como a desistência ou a incompetência de o Estado resolver os problemas gerais do povo?

Machado revive aqui e agora para nos lembrar que não existem mais heróis, salvadores da Pátria, santos ou deuses! Diabos e bandidos multiplicam-se! Manhosos e espertalhões acotovelam-se nos corredores das repartições públicas. Manhosas e espertalhonas são as sanguessugas do erário, presentes na história deste país desde épocas remotas.

Machado retorna para propiciar a oportunidade de reflexões em torno do compromisso assumido pelas autoridades para com a coisa pública, a administração dos bens públicos. E os bens públicos não são unicamente o dinheiro, a terra e a água, a fauna e a flora, o patrimônio material dos órgãos públicos. Os bens públicos maiores são a consciência e a alma nacionais, a fé no futuro, o esforço de gerações na construção da nação, agredida na sua ex-inocente indiferença.

E o país é rico! Condições naturais há para desenvolvê-lo. Gente há com vontade e necessidade de trabalhar. Somos um povo acolhedor, pacato, humanitário, trabalhador, cordial. Precisamos resgatar virtudes, compromissos e valores de que carecemos e adotar medidas para a construção efetiva da Nação.

Temos pressa. O país deve retomar o percurso histórico sonhado pelos maiores dos seus heróis. Além dessa responsabilidade histórica, a Nação há de resgatar os valores morais perdidos na insensatez dos tempos modernos. A Nação precisa se regenerar, construir, como dizia Machado de Assis, “a união do desinteresse, do patriotismo e das virtudes humanitárias”.

Esta é a ideia, cidadãos e vassalos brasileiros.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 21.05.18

 

 

O lugar dos corruptos

Não é nosso interesse bater na tecla da corrupção sempre, mas não devemos nos furtar do tema, dada sua importância para o país.

Editorial do Jornal do Brasil do dia 8 de setembro de 2017 revela o sentimento do povo brasileiro com a onda de corrupção que está vindo à tona e que enoja a alma nacional.

Devido à sua importância, como alerta, vamos ler o texto intitulado Procurem os esgotos para viverem.

“Mais R$ 864 milhões. O povo não aguenta. O volume de acusações feitas pelo Ministério Público Federal (MPF) ou pela Polícia Federal (PF) a parlamentares que desviam recursos do povo para as suas fortunas pessoais é um acinte, uma afronta. É uma agressão à dignidade de um povo sofrido, desempregado, sem rumo em vida e cujo único destino, além do desamparo, a fome e o desemprego, é a morte.

“O que querem esses corruptos? Legislarem para quem? Para eles mesmos? Os cidadãos brasileiros, além do nojo insuportável que já têm desses parlamentares, se tudo isso for verdade, vão exigir, a qualquer momento, que esses corruptos não continuem mais vivendo no Brasil. E que sejam acompanhados pelos empresários que também corromperam e já fogem.

“O povo não terá mais condições de dividir o espaço territorial com quem não tem mais como viver no Brasil, pois se suas caras ficarem no vídeo ou na mídia por muito tempo, como deverão ficar, esses parlamentares não poderão mais andar nas ruas. O povo não permitirá. Não como uma afronta ao direito de ir e vir. O povo digno não tomará essa decisão para confrontar a democracia. Mas terão que tomar sim porque se esses senhores não tiveram cerimônia em se apropriar do Tesouro público e, estando nas ruas, poderão estar armando novos roubos contra o povo.

“Procurem, corruptos e corruptores, os esgotos para viverem. É aí a sua residência. O mundo dos ratos é o esgoto.”

Encerra aí o texto do JB, um tradicional veículo de comunicação do país, aliás um dos maiores, que embora receba críticas de quem é mais alinhado à esquerda, sem dúvida tem dado grande contribuição ao pensamento nacional ao expor as mazelas e as riquezas brasileiras.

Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos piauienses.

Opinião de Domingos Bezerra Filho no Jornal da Teresina 2ª Edição de 18.05.18.

 

A corrupção

Hoje, ouvimos as pessoas declararem que o Brasil é um país corrupto desde que aqui aportaram as naus portuguesas e que tal prática se dá a partir do pedido de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal. Divulgou-se que o pedido era de emprego para um parente, mas não foi. Caminha pediu a soltura do genro que estava preso. A carta foi escrita em primeiro de maio de 1500, em Salvador (BA).

Nela, Pero Vaz de Caminha implora a Dom Manuel, conforme textualmente se transcreve: ‘E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro, o que Dela receberei em muita mercê.”

Ora, a corrupção é um dos desvios de personalidade da pessoa humana ou, na realidade, uma das suas características? Bem, o espaço não dá para dissertar, com profundidade, sobre conceitos filosóficos que envolvem várias ciências humanas.

Originária ou não no nascedouro da história brasileira, a corrupção põe nas ruas as crianças malnutridas. A corrupção cava um buraco nos cofres públicos que, de tão gigantesco, impede a melhoria de qualidade na saúde, na educação, na segurança pública.

A corrupção é responsável pelo avanço da violência social porque desestrutura a todos, em todos os sentidos, em todos os lugares.

Mal maior, a corrupção fere a dignidade humana e desumaniza a pessoa humana. A corrupção incentiva a progressão das indignidades e das iniquidades; o falecimento da justiça; o empobrecimento da virtude; a quebra dos valores morais que poderiam construir as personalidades.

Lutemos, pois, contra todos os atos eivados de corrupção, seja econômico-financeira, política, moral etc. Desta forma construiremos um país decente para nós e para nossos herdeiros.

Mas não nos esqueçamos: ao contrário de alguns, nós acreditamos com toda força da alma que o Brasil, como disse o espírito de Humberto de Campos na psicografia de Francisco Cândido Xavier, é o coração do mundo e a pátria do evangelho.

Domingos Bezerra Filho

Opinião Jornal da Teresina 2ª Edição de 17.05.18.

 

 

 

 

Povo clama por justiça

A violência, que tem origem na natureza humana, até como instinto de defesa, proteção da propriedade particular, da família, dos entes queridos etc,etc, etc, evoluiu para a criminalidade insuportável dos tempos modernos. Indiscutivelmente, tal evolução, patrocinada pelo uso cada vez maior de entorpecentes, resulta da impunidade.

Senão vejamos: se você observar o crescimento, nos últimos anos, dos assassinatos de mulheres, de homossexuais, de políticos, de empresários, de gente pobre também, todos com motivações as mais diversificadas, notará que tais crimes recebem o incentivo da impunidade.

Mesmo que haja julgamento, em muitas situações, os criminosos, os assassinos, são condenados, mas a lei lhes confere o direito, passado algum tempo, de voltar à liberdade, não repondo, por ser isto impossível, a vida àqueles que mandou para o outro mundo.

Ora, no Brasil, a pessoa condenada só permanece no presídio por, no máximo, 30 anos, mesmo que seja condenada a pena superior. Além disso, as circunstâncias atenuantes podem reduzir o tempo de prisão.

Não queremos entrar no mérito da questão, por demais complexa e que envolve conhecimentos profundos de direito e de filosofia, dentre outras ciências.

Mas é improrrogável admitir que a facilidade com que se mata – e não se paga por isso – no Brasil ajuda o tendente ao crime à sua prática.

Antes se dizia que o Piauí era um estado calmo e que o piauiense era pacato, que este é o melhor lugar do mundo para viver, que quem bebia da água do Parnaíba jamais deixaria ou esqueceria o filho do Sol do Equador, etc, etc. Exageros à parte, o Piauí sempre foi um lugar bom para viver, a despeito de tantas injustiças sociais e econômicas que obrigaram seu povo a viver subjugado por séculos. O estado conheceu, em tempos esparsos na história, alguma rebelião contra os poderosos. No mais das vezes, a paz reinava entre patriarcas e marginalizados, dada a dimensão do poder das famílias patriarcais, donas de latifúndio, de gado e de gente.

Pois bem. Agora, nestes tempos de pesares gerais, o crime virou moeda social com ampla estadia nos escaninhos públicos e privados, ordenando a vida comum sem que o cidadão o saiba, pois apenas segue os ditames legais impostos pelos plantonistas do poder.

Quantos prefeitos, deputados, empresários, jornalistas foram assassinados neste estado sem que os culpados tenham sido punidos?! Não são poucos.

O crime no Piauí tornou-se uma instituição representativa da sociedade. Até parece que para legitimar o direito do poder em detrimento do poder do direito e da justiça. Até parece que para sedimentar no contexto social o domínio da brutalidade, da ignorância, do mandonismo.

Se olharmos para o passado, veremos que não estamos muito distantes dele. Ou melhor, o passado está presente na cultura da violência que se perpetua sem justiça.

Ontem, o assassinato de mais uma jovem feriu a alma piauiense.

Acreditamos que a liberdade ou a libertação de assassinos incentiva a prática de novos crimes.

Quantas Arethas, Camilas, Yarlas ou milhares de outras mulheres serão mortas para aprendermos?

É preciso que cultuemos novos hábitos. É preciso que adotemos novas posturas contra a cultura da violência antes que seja tarde.

Melhor falando: antes tarde, já que é tarde, do que junca.

Fica o nosso grito de alerta e de revolta.

Esta é a ideia, cidadãos e cidadãs piauienses.

Domingos Bezerra Filho

 

O jogo da verdade

Jornal do Brasil

A última eleição, apenas dois anos passados, deixou um fator preocupante, que não tem como escapar de reflexão, quando milhões de brasileiros serão novamente convocados às urnas. Em 2016, 27% dos cidadãos habilitados preferiram abster-se, anularam o voto ou optaram pelo branco. O que significa que 40,3 milhões desejaram não participar, insensíveis aos muitos apelos que os convidavam a fazer uso de uma das mais belas dentre as franquias democráticas. Fato passado, por que retomá-lo agora? A explicação certamente haverá de sustentar-se na justa preocupação de hoje, relativamente à repetição do processo, já agora não apenas para a escolha de prefeitos, porém indiscutivelmente mais importante, quando vai se tratar da escolha do presidente da República, da renovação da Câmara e parte do Senado. Não há como relegar a plano inferior a responsabilidade que aguarda o eleitorado.

A oportunidade, portanto, justifica tais observações. Os candidatos têm o dever de estimular os cidadãos desinteressados ou descrentes, tão numerosos em 2016. Como? A via de mão única é entrar no jogo da verdade para a discussão dos destinos do país, sem enganações, sem fantasias ou promessas descabidas. Cobre-se deles, antes de mais nada, seriedade na pregação das promessas; sejam espontaneamente sérios, enquanto a legislação eleitoral não elabore regras capazes de garantir que, efetivamente, se cumpra o que se promete. Quando tal acontecer, os juízes e ministros passariam, antes mesmo dos eleitores, a dispor de instrumentos de coerção legal. Mas aí os tempos serão outros.

A bem sentir, desejável, neste ano, é a contenção do abuso com os sofismas, já que a eliminação total de enganações escapa das possibilidades, mesmo que o aperfeiçoamento da democracia tenha permitido à sociedade identificar melhor candidatos que preferem falsear verdades. Mentira sempre houve, mas Von Bismarck dizia que ela tem três momentos gloriosos no tempo: antes das eleições, durante a guerra e depois da pescaria… Ainda que antiquíssima, sem maiores desânimos é preciso combatê-la; quando não mais, ao caminharmos para as urnas, sem guerra e sem peixes.

No conteúdo dessa aspiração, conveniente também que as candidaturas evoluam para indicar soluções, sem se contentarem com o relatório dos problemas, porque esses, todos conhecemos, sobejamente, de longas temporadas eleitorais. A questão é como superá-los? Como traçar caminhos que levem às soluções? É o que não se vê, por exemplo no caso da segurança pública no Rio, distante de padrões mínimos reclamados pela população. Todos os candidatos querem solução, mas não dizem como obtê-la. Navegam no óbvio, culpam as estruturas e a ineficiência dos governantes, mas são incapazes de ir além das lamúrias. O que queremos são ideias e soluções concretas.

O voto é instrumento de poder para a tomada de decisões; poder esse que se delega ao representante eleito. Por desconsiderar o valor dessa delegação, é que incorrem em equívoco o abstencionismo e a preferência pela anulação do voto. E quem receber a missão deve se sentir portador de imaginação, criatividade e disposição para o trabalho. A maneira de mostrar esse potencial ao eleitor é praticar logo o jogo da verdade. Eis uma realidade que se deseja ver presidir o pleito de outubro.

Incluem-se em tal expectativa as intenções de quem for disputar a Presidência da República. No caso, é de todo conveniente que nos debates televisivos eles sejam objetivos. Para tanto, poderiam contribuir as emissoras, que nesses confrontos têm priorizado o rigor do cronômetro, com o sacrifício das propostas e das diferenças entre os candidatos, esses também limitados aos cansativos pingue-pongues de segundos, cada um preocupado em elaborar ciladas e desconfortos para o adversário.

Que nesse outubro, que vem chegando, prevaleça, antes de tudo e de todos, o primado da verdade entre quem dá e quem recebe o voto.

Domingos Bezerra Filho

 

 

O caixa dois nas campanhas: hipocrisia e enganação

Presença antiga na seara política brasileira, a utilização do caixa dois em campanhas eleitorais volta à discussão, com a disseminação de denúncias contra autoridades como o ex-governador Geraldo Alckmin e Fernando Haddad.

O caixa dois é o uso de dinheiro não contabilizado. Dirão vocês: “O caixa dois é uma tradição na política brasileira. A Justiça sabe disso, todo mundo sabe disso.”

Um dos grandes problemas é que, em não sendo contabilizada, essa verba espúria geralmente tem origem duvidosa, na maioria dos casos do superfaturamento ou sobrepreço de obras e serviços públicos.

Essa relação perniciosa envolve empresas públicas, políticos e servidores, combalindo os cofres públicos em detrimento, por via de consequência, das políticas e ações necessárias à solução de problemas enfrentados pela população.

Vejamos a situação do saneamento básico, da saúde e da educação, além da mobilidade urbana, do meio ambiente e da segurança pública, setores estes a enfrentar calamidade de norte a sul do País.

O caixa dois usado nas campanhas eleitorais – repitamos: o dinheiro acumulado ilegalmente – é apenas um elemento na composição dos atos de corrupção identificados na administração e na política brasileira.

Como tal, deve ser combatido com rigor pela justiça e assim a autoridade judiciária eleitoral diz que pretende agir.

Ocorre, todavia, que, na irrealidade permanente, o legislador brasileiro cria limites de gastos que ele mesmo sabe serem impraticáveis, abrindo margem para o caixa dois e dificultando a fiscalização. Tudo feito de propósito, de caso pensado.

Semelhante às declarações dos bens de candidatos, cada uma mais fora da realidade do que a outra. Basta acompanhar o andamento das campanhas, ou, mesmo em outras situações, basta acompanhar o dia-a-dia de determinados candidatos.

Hipocrisia por cima de hipocrisia. Enganação por cima de enganação. Fingindo o cumprimento da lei.

Esta é a ideia, cidadãos e cidadãs piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 14.05.18

 

 

Fisiologismo na política

O fisiologismo se caracteriza como um tipo de relação política em que as ações são decididas pela troca de favores, favorecimento e outros benefícios para o atendimento de interesses individuais em detrimento do bem geral das pessoas.

Esse fenômeno é frequente nas casas legislativas e no Poder Executivo e está umbilicalmente ligado à corrupção política. Os partidos ditos fisiológicos oferecem apoio a esse ou àquele candidato, principalmente quando este representa a agremiação que eventualmente detém o poder.

No comando da administração pública, os partidos e, claro, as pessoas que os lideram exercem a gestão pública de forma a se beneficiar do erário, das facilidades que o poder oferece, por intermédio da distribuição de cargos e serviços públicos a aliados fisiológicos.

Os partidos fisiológicos apoiam qualquer governo, sem levar em consideração os interesses populares, as ideologias ou planos programáticos somente para conseguir concessões em negociações muitas vezes delicadas.

O fenômeno se desenvolve e se torna claro, patente, visto por todos, no período pré-eleitoral, ou quando alguma matéria de grande importância tramita no Congresso ou nas Assembleias e Câmaras Municipais. É nesse período que os ditos mais espertos se movimentam e engendram as mais diversificadas engenharias políticas para abocanhar pelo menos uma fatia, mínima que seja, das instâncias da gestão pública.

A prática do fisiologismo é secular, tradicional, em nosso País. E aqueles que não o adotam são considerados infantis, imaturos, despreparados. Não sabem esses espertos que a voz rouca das ruas, sufocada pelos maus costumes políticos, prepara-se para romper os tímpanos da jovem democracia brasileira, a exemplo do que presenciamos nos movimentos de rua levados a efeito a partir de junho de 2013.

Os protestos, em determinadas épocas, como em tempos de copa do mundo, como a que experimentamos em 2014, tiveram o brilho empanado pelo civismo festivo da Nação de Chuteiras, mas a qualquer momento poderão ferir o ar contra as mazelas e o fisiologismo nosso de cada dia.

Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 11.05.18.

 

 

Sobre fisiologismo na política

Já dissemos que voltaríamos a tratar do político fisiologista. Retomemos, então, o assunto, por ser este um anos de importantes decisões por causa do pleito de outubro, quando escolheremos o presidente da República, senadores, deputados federais e deputados estaduais.

O fisiologista não é ninguém porque não representa absolutamente nada, apenas os seus interesses mais mesquinhos, a sua própria idolatria, o seu egocentrismo, o seu egoísmo. A ação do fisiologista é má, traiçoeira, interesseira, medíocre.

O fisiologista trai a própria consciência, se é que a tem, trai a si mesmo e a si mesmo desconhece porque o que lhe interessa são coisas miúdas, pequenas, passageiras, materiais.

O político (ou partido fisiologista) trai a própria mãe. Em atendimento às suas próprias insignificâncias, chega a mentir para a mãe, a quem só trata bem quando lhe serve. Esta, a mãe, quando atinge a idade avançada, é transferida para o abrigo pelo filho fisiologista porque ele, o filho fisiologista, dela já se utilizou, dela usufruiu as mais benditas carências e benefícios, desde a infância primeira.

O político fisiologista, muitas vezes, para satisfazer aos seus interesses pessoais, mente, engana, dissimula. Engana a própria mulher, quando é homem e, se é mulher fisiologista, engana o homem com quem dorme e de quem suga as forças para sobreviver, e o trai quando suas vontades são contrariadas.

O político fisiologista engana o filho e a filha. Se já enganou a mãe, engana o filho e a filha, produto de sua força biológica, sua energia cósmica.

Ora, se engana a companheira ou o companheiro, a mãe, a filha e o filho, engana o povo, o sofrido povo cujas bolsas famílias e bolsas buchos insultam a dignidade humana por causa da inexistência de políticas de valorização da pessoa humana como a construção de escolas e a destruição de presídios, a construção de igrejas e bibliotecas e a destruição de ídolos.

Se o fisiologista engana a mãe, engana a Pátria, porque o fisiologista não tem alma, não tem na alma o amor pela Pátria. É ingrato, não reconhece a terra em que nasceu. Suja e depreda a natureza.

A alma do fisiologista é a sua própria consciência, se a tem, ou melhor, sua alma é o seu interesse já que os seus interesses são a sua própria vida.

A pátria do fisiologista é o seu estômago, cujas vísceras exalam o mau cheiro da imoralidade, da indecência, da covardia, da mediocridade, da subserviência, da hipocrisia.

Esta é a ideia, cidadãos e cidadãs piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 09.02.18.

 

 

Os políticos e a vida de todos nós

Temos discutido, com insistência, a realidade político-econômica brasileira e piauiense com o intuito de contribuir para o debate sobre a vida de todos nós porque muita coisa é decidida nas instâncias políticas.

Não custa nada recordar trecho do poema O Analfabeto Político, de Bertold Brecht:

O pior analfabeto
É o analfabeto político,
Ele não ouve, não fala,
nem participa dos acontecimentos políticos.

Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe, da farinha,
do aluguel, do sapato e do remédio
dependem das decisões políticas.

Há alguns dias relembramos os conceitos de ideologia e de partido político. “Ideologia é um conjunto de ideias ou pensamentos de uma pessoa ou de um grupo de indivíduos. A ideologia pode estar ligada a ações políticas, econômicas e sociais”.

No dia seguinte ao da Proclamação da República discutimos os partidos políticos. Com cerca de 35 partidos registrados no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), o Brasil vive momentos de demonização dos políticos por culpa das ações nefastas de alguns deles, as quais empobreceram a ação política e apodreceram instituições exemplares.

Ora, se tudo ou quase tudo depende da política e a política é produzida por pessoas humanas, o que fazer?

As pessoas não são demônios nem santas. São pessoas humanas, com erros e acertos; com virtudes e defeitos.

Em muitas ocasiões cometem crimes passionais, administrativos, sociais, econômicos, pessoais e políticos, dentre outros. Em muitas ocasiões agem influenciadas pelo sentimento de santidade. As pessoas humanas amam e odeiam, ou odeiam ou amam. Às vezes nem tanto. Muitas vezes são isentas, se isolam, se enclausuram em seus próprios sentimentos, em suas aspirações, em seu egoísmo, em seu egocentrismo.

Das pessoas humanas investidas da responsabilidade política, no exercício de cargos públicos para os quais foram nomeadas, é exigido o cumprimento da lei, sem fuga. Devem obediência aos direitos da pessoa humana, o respeito à natureza e devem ser justas.

Os desvios políticos, que reprovamos todos com veemência, merecem ser punidos. Então, como não somos nem santos nem demônios, devemos participar ativamente do processo político-administrativo, procurando, sobretudo, renovar os valores que deveriam alimentar a alma humana.

Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 08.05.18.

 

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