Domingos Bezerra

Domingos Bezerra

Ninguém é culpado até o julgamento final

 

Com o título Em defesa da presunção de inocência, publicado no “O Estado de S. Paulo” de 01.06.2007, Luiz Flávio Borges D´Urso, advogado criminalista, mestre e doutor pela USP, ex-presidente da OAB São Paulo, afirma que “o princípio da presunção de inocência está entre as principais garantias constitucionais do cidadão brasileiro, ao estabelecer que todo e qualquer acusado deve ser considerado inocente até a decisão final, contra a qual não caiba mais recurso, independente da acusação que lhe seja imputada. Ou seja, ninguém pode ser considerado culpado antes da sentença final, que advirá após lhe ser garantida a ampla defesa e o contraditório, dentro do devido processo legal.  O Art. 5, inciso LVII da CF, é muito claro: “Ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado da sentença penal condenatória”.

“Esta é uma regra garantidora do Estado Democrático de Direito, ensejando – por conseguinte – também como regra que o acusado responda seu processo em liberdade.  Comporta exceção prevista em lei, pela qual o acusado, eventualmente, poderá ser preso por conta, exclusivamente, de um interesse processual, o que não lhe antecipa a culpa. E, somente, durante o tempo em que esse interesse estiver presente. Cessadas as condições que, eventualmente, autorizaram a prisão processual, a regra deve prevalecer, porque a liberdade individual é o bem maior garantido constitucionalmente.

“Até mesmo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, da Organização das Nações Unidas, em seu Art. XI, assevera que “ todo ser humano acusado de ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei”. Igualmente, a jurisprudência de vários países com tradição democrática contempla o instituto da presunção  de inocência, a garantir que  o imputado não receba  punição antes da sentença final.

“Diante disso, a sociedade brasileira precisa estar vigilante e exigir o cumprimento da lei para que esta seja aplicada no país de forma indistinta, subtendo todos aos seus ditames. Não se pode admitir que o mais humilde dos brasileiros possa ter contra si uma prisão processual decretada  em vista da sua condição social; o que também se aplica – por equidade – a pessoas ilustres, famosas, populares ou que detenham poder econômico.”

Eis aí mais um trecho de texto de advogado conceituado para reflexão sobre a nossa realidade.

Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos piauienses.

(*) Opinião de Domingos Bezerra Filho no Jornal da Teresina 2ª Edição de 23.02.18.

 

 

 

Analfabetismo é ainda um sério problema do Brasil

Vamos abordar hoje o problema do analfabetismo no Brasil, um problema secular, histórico, que facilita os desvios administrativos e políticos, embora tais desvios não sejam comuns ou mais presentes apenas nos países onde as taxas de analfabetismo são altas.

Pois bem. Matéria da Agência Brasil de dezembro do ano passado informa que “em 2016, a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade no Brasil foi estimada em 7,2% (11,8 milhões de analfabetos). Esse percentual apresentou relação direta com a faixa etária, aumentando à medida que a idade avançava, até atingir 20,4% entre as pessoas com mais de 60 anos.”

O texto prossegue: “A meta 9 do Plano Nacional de Educação (PNE), lei sancionada em 2014, previa a redução da taxa de analfabetismo para 6,5%, em 2015 no país, o que não foi alcançado, conforme mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2016, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).”

“A taxa de analfabetismo para as pessoas pretas ou pardas (9,9%) – nomenclatura usada pelo IBGE – foi mais que o dobro da observada entre as pessoas brancas (4,2%) em todas as regiões do país”, diz a Agência Brasil.

“Segundo o IBGE, o Nordeste apresentou a maior taxa de analfabetismo (14,8%), índice quase quatro vezes maior do que as taxas estimadas para o Sudeste (3,8%) e o Sul (3,6%). No Norte, a taxa foi 8,5% e no Centro-Oeste, 5,7%. A meta 9 do PNE para 2015 só foi atingida nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste”, atesta o site.

“Para a analista do IBGE Marina Aguas, as políticas públicas de redução do analfabetismo devem focar as regiões Norte e Nordeste”, opina.

“No país, a taxa de analfabetismo para os homens de 15 anos ou mais de idade foi 7,4% e para as mulheres, 7%”, prossegue.

Segundo a analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Helena Oliveira Monteiro, “a pesquisa mostra a continuidade das diferenças regionais e a desigualdade por cor ou raça”, favorecendo as pessoas brancas, realidade associada à renda, ou seja, quem tem maior renda tem igualmente mais acesso ao ensino.

“No Brasil, 51% da população de 25 anos ou mais tinham até o ensino fundamental completo ou equivalente em 2016; 26,3%, o ensino médio completo, e 15,3%, o superior completo”, diz o texto da Agência Brasil.

“Considerando a cor ou raça, as diferenças no nível de instrução são significativas: enquanto 7,3% das pessoas brancas não tinham instrução, 14,7% das pessoas pretas ou pardas estavam nesse grupo. Situação inversa ocorreu no nível superior completo: 22,2% das pessoas brancas tinham esse nível de instrução, ao passo que entre as pretas ou pardas a proporção era de 8,8%”, analisa.

O texto de hoje foi mais informativo do que dissertativo.

Para finalizar, a constatação de que as regiões Norte, Nordeste, e os pobres e pretos são os mais prejudicados.

Esta é a ideia, cidadãos e cidadãs piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 22.02.18.

 

Donos das ruas, bandidos se apropriam de hospitais e escolas

O Brasil vive uma fase de extremas dificuldades, em setores essenciais, que precisam ser devidamente estudadas, explicadas e sanadas.

Na política, o volume de denúncias informa a nota grave da situação. A novidade é que, praticada há tempos, a corrupção, por vários motivos, dentre os quais a renovação dos costumes administrativos e a promulgação da Constituição de 1988, vem sendo denunciada e combatida com rigor.

Já não era sem tempo. Os movimentos que ganharam as ruas, praças e avenidas na segunda metade desta década mostraram a insatisfação de grande parte da população. Você deve se lembrar que, em 2013, os jovens se manifestaram contra aumentos nas passagens de ônibus em São Paulo e várias outras capitais.

Mudamos? Claro que não mudamos de uma hora para outra. As mudanças transcorrem, com profundidade, com o correr do tempo, ao longo da história.

A cadeia guarda empresários, políticos e ex-diretores de empresas que se desviaram nas relações da iniciativa privada com o poder público, enfraquecendo o poder financeiro da maior empresa brasileira, a Petrobras.

As investigações e as condenações são um exemplo, um alerta para os menos avisados que pensam jamais ser punidos. E o são. Agora estão sendo punidos.

No meio da sociedade, contudo, o exemplo não se confirma, embora os marginais também estejam sendo presos. Mas parece que há marginais de sobra em relação à força policial. Por mais que tenhamos policiais nas ruas, a bandidagem mostra suas garras. Em todos os estados.

Na semana passada, com a decretação da intervenção federal na segurança do Rio de Janeiro, o Brasil passou a discutir, com mais vigor, a energização desse setor fundamental para a sobrevivência da sociedade.

Mas os bandidos são audaciosos. Em hospitais e escolas, a violência social se avoluma e já chegamos até a ouvir comandante de polícia dizer que não tinha condição de pôr seus homens para oferecer segurança a esses locais, onde inocentes já foram assassinados em ações audaciosas dos marginais.

Isso foi no Rio de Janeiro. Todavia, cá, na ex-pacata Teresina, estamos prestes a ver isso acontecer.

Os bandidos são donos das ruas. Falta apenas serem donos dos hospitais, das escolas, das igrejas.

Dos palácios eles também já são donos.

Esta é a ideia, cidadãos e vassalos piauienses.

Domingos Bezerra Filho.

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 21.02.18.

 

Brasil precisa de um novo pacto nacional

As eleições brasileiras, antes e depois das várias ditaduras que tivemos, mesmo aquelas que se deram de forma pacífica, foram enganosas.

Como tem sido natural na história política brasileira, a mentira, a enganação descarada, a fabricação de falsos líderes, a construção de imagens irreais de personalidades sempre se fizeram presentes.

O Congresso que temos, eleito pelos brasileiros, mesmo levando-se em consideração a sua legitimidade e constitucionalidade, não representa em hipótese alguma as tendências do pensamento nacional. Porque a maioria dos brasileiros reprova a atuação política dos nossos representantes. Em tese, contudo, é legítimo.

Diversificada, a ideia nacional desde muito busca saída para as crises que se avolumaram ao longo do tempo: crise ética na administração pública, crise moral na condução das coisas da política, crise econômica agravada por medidas temerárias tomadas apenas para agradar segmentos sociais, crise financeira advinda de atos administrativos que encobriram a real situação das contas públicas em anos recentes etc etc etc.

Sem representatividade, embora com legalidade, o Congresso e o governo não fizeram as reformas requeridas pela Nação: previdenciária, tributária, política, fiscal, dentre outras, porque não interessava aos seus integrantes por vários motivos, dentre os quais a fragilidade dos seus mandatos fincados na comercialização vergonhosa e ilegal de votos.

Frágil na sua configuração moral, o Congresso Brasileiro distanciou-se do interesse público, como igualmente ocorreu com o governo central, que cedeu aos afagos dos velhos costumes político-administrativos. Não apenas este governo, mas os anteriores também. Pelo menos os mais recentes.

O que fizeram para atender aos reclamos populares foi pouco, muito pouco.

Não houve conciliação do pensamento nacional.

Distantes da Nação, a Praça dos Três Poderes, no Planalto Central, esqueceu-se de que só é possível governar com o povo, com o diálogo.

Agora, sentindo os mandatos verdadeiramente ameaçados, próximo do final da maioria deles, muitos congressistas e os partidos que detêm o poder momentaneamente tentam formatar novos pactos, a definir novos rumos que, aliás, são extremamente necessários.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 20.02.18.

 

 

Só intervenção na segurança não resolve problema da criminalidade

Operação policial contra traficantes de drogas na Cidade de Deus, dia 1° de fevereiro de 2018, no Rio de Janeiro.
REUTERS/Ricardo Moraes

A intervenção federal na segurança pública no Rio de Janeiro é um dos temas mais discutidos da semana, desde que o presidente Michel Tema decidiu pela medida após o recrudescimento da violência, durante o carnaval, quando mais inocentes foram mortos na ‘guerra civil’ carioca.

Alguns estados, em proporções menores, vivem esse problema, uma questão crucial para o futuro do País que não mereceu o devido cuidado do setor público, especialmente do governo federal, que, de certa forma, virou as costas para ele.

Se formos conversar com especialistas, estudiosos da segurança pública, vamos constatar que são vários os motivos para tanta violência social, desde os maus exemplos de autoridades constituídas – por intermédio do envolvimento com marginais numa relação de proteção mútua em que o dinheiro público é utilizado como moeda de troca, de beneficiamento – até o abandono generalizado ao qual as comunidades mais carentes foram relegadas.

Entregues à própria sorte, as comunidades mais carentes – ou favelas – foram ‘adotadas’ pelos bandidos que passaram, então, a dar as ordens enfrentando-se uns aos outros em busca do domínio do tráfico, demarcando terreno, demonstrando poder excepcional, um poder paralelo a desafiar o poder público, o aparato da segurança estatal.

O atual quadro socioeconômico e de insegurança que domina o Rio de Janeiro é um desafio à inteligência nacional porque a violência se aprofundou de tal forma que o poder público se revela incompetente.

É claro que torcemos para que a ação presidencial, com a intervenção no Rio, tenha sucesso e sirva de exemplo para os pretensos bandidos de outros estados, inclusive daqui, que ameaçam a segurança nacional ao retirar a tranquilidade do cidadão e da família brasileira.

É preciso agir com energia, sem medo, mas com justiça, com base na lei, punindo inclusive aqueles servidores públicos que se desviam da ética e da responsabilidade pelo cumprimento de suas obrigações funcionais e operacionais.

Muita coisa errada se origina no próprio centro do poder, no interior das decisões tomadas por autoridades, seja do Executivo, do Judiciário, do Legislativo.

A população brasileira, que se acha abandonada, exige postura responsável das autoridades constituídas e clama por justiça nas comunidades mais carentes e nas avenidas onde os arranha-céus de vidro dão o tom da modernidade contemporânea.

Esta é a ideia, cidadãos e cidadãs piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 19.02.18

 

 

Fraternidade e superação da violência

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) lançou ontem, em Brasília, a Campanha da Fraternidade 2018. Hoje, foi em Teresina e em outras capitais. O tema escolhido é Fraternidade e Superação da Violência.

As formas e tipos de violência existentes no Brasil são mencionados no documento, com destaque para a violência cometida contra os negros, os jovens e as mulheres. Na opinião do cardeal Sérgio da Rocha, presidente da CNBB, “os grupos sociais vulneráveis são as maiores vítimas da violência”.

“A Igreja sempre tem alertado sobre a perda de direitos sociais. Não podemos admitir que os mais pobres arquem com sacrifícios maiores. Precisamos de políticas públicas para nos ajudar a superar e a assegurar os direitos fundamentais que as pessoas têm”, disse Dom Sérgio, que já foi arcebispo de Teresina.

Ele observou que a corrupção é uma das formas em que a violência se manifesta. “A corrupção é uma forma de violência, e ela mata”, falou o cardeal, para quem, “ao desviar recursos que deveriam ser usados em favor da população, os políticos acabam promovendo uma outra forma de violência contra o ser humano, a miséria”.

Acrescentou o cardeal que “queremos superar também formas de violência como as representadas pela miséria e pela falta de vida digna”, criticando, em seguida, os políticos que defendem a violência como forma de combater a violência.

Dom Sérgio também lembrou que a internet está sendo usada para a agressão, constatando “um triste crescimento da agressividade”, e destacou que a mídia é fundamental para a “superação da violência”, mas reprovou programas violentos que buscam audiência a todo custo.

Coincidentemente, escolas de samba do Rio de Janeiro e de São Paulo, como, de resto, blocos de outros estados, abordaram os descaminhos da política e da economia, com foco na corrupção e na violência.

Exemplo foi a Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, que desnaturalizou a violência e a corrupção, esta uma das maiores violências contra o povo, para desancar autoridades e marionetes de esquemas políticos que se manifestam atendendo a interesses escusos, pessoais, e de grupos políticos e econômicos que usam a massa para embelezar o próprio figurino, mas embaçam o cenário nacional.

Mais uma vez, temos, com a Campanha da Fraternidade e o brilho de escolas de samba, a oportunidade e o dever de refletir sobre as atuais condições do Brasil para projetar um futuro de paz, solidariedade, bem-querença, honestidade, prosperidade, felicidade, fraternidade, humanitarismo para o Pindorama invadido em 1.500.

Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos brasileiros.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 15.02.18.

 

É preciso estudar e duvidar para conhecer

Passadas as festas de carnaval, a vida volta ao normal. Uns até dizem que o ano só começa depois do carnaval.

Pois bem, passado o carnaval, quero nesta Quarta-Feira de Cinzas falar aos estudantes. E transponho trechos do discurso de Rui Barbosa pronunciado pelo professor Reinaldo Porchat devido a problemas de saúde do autor, que não pôde comparecer à solenidade de formatura.

O texto foi produzido por Rui Barbosa em 1920, dirigido aos bacharelandos da faculdade de Direito do Largo do São Francisco, em São Paulo. Rui completava 50 anos de carreira e era homenageado como paraninfo da turma.

Jurista, jornalista, escritor, político, diplomata, professor, Rui Barbosa fala sobre assuntos variados. Esclarece suas ideias republicanas, discorre sobre religião, fala de sua história como advogado, sempre usando uma linguagem por muitos considerada rebuscada, mas sem dúvida alguma muito culta, com respeito à língua pátria, que cultuava como ninguém.

Diz o grande mestre: “Estudante sou. Nada mais. Mau sabedor, fraco jurista, mesquinho advogado, pouco mais sei  do que saber estudar, saber como se estuda,  e saber que tenho estudado. Nem isso mesmo sei se saberei bem. Mas, do que tenho logrado saber, o melhor devo às manhãs e madrugadas.”

Mais adiante continua Rui Barbosa: “Os que madrugam no ler, convém madrugarem também no pensar. Vulgar é o ler, raro o refletir. O saber não está na ciência alheia, que se absorve, mas, principalmente, nas ideias próprias, que se geram dos conhecimentos absorvidos, mediante a transmutação, por que passam, no espírito que os assimila. Um sabedor não é armário de sabedoria armazenada, mas transformador reflexivo de aquisições digeridas. Já se vê quanto vai do saber aparente ao saber real. O saber de aparência crê e ostenta saber tudo. O saber de realidade, quanto mais real, mais desconfia, assim do que vai aprendendo, como do que elabora.”

Por que Rui? Ora, é preciso estudar com afinco e com desconfiança. Duvidar para conquistar alguma certeza, como quisera também outra grande personalidade da história universal: Albert Einstein.

Aliás, todos os cientistas. Todas as grandes personalidades que inspiram grandes sonhos e grandes esperanças estudaram muito, trabalharam muito, acreditaram muito, desconfiaram muito.

Vamos estudar, trabalhar e duvidar para modificar o mundo em que vivemos.

Esta é a ideia, cidadãos e cidadãs piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 14.02.18

 

 

Fisiologismo na política

O fisiologismo se caracteriza como um tipo de relação política em que as ações são decididas pela troca de favores, favorecimento e outros benefícios para o atendimento de interesses individuais em detrimento do bem geral das pessoas.

Esse fenômeno é frequente nas casas legislativas e no Poder Executivo e está umbilicalmente ligado à corrupção política. Os partidos ditos fisiológicos oferecem apoio a esse ou àquele candidato, principalmente quando este representa a agremiação que eventualmente detém o poder.

No comando da administração pública, os partidos e, claro, as pessoas que os lideram exercem a gestão pública de forma a se beneficiar do erário, das facilidades que o poder oferece, por intermédio da distribuição de cargos e serviços públicos a aliados fisiológicos.

Os partidos fisiológicos apoiam qualquer governo, sem levar em consideração os interesses populares, as ideologias ou planos programáticos somente para conseguir concessões em negociações muitas vezes delicadas.

O fenômeno se desenvolve e se torna claro, patente, visto por todos, no período pré-eleitoral, ou quando alguma matéria de grande importância tramita no Congresso ou nas Assembleias e Câmaras Municipais. É nesse período que os ditos mais espertos se movimentam e engendram as mais diversificadas engenharias políticas para abocanhar pelo menos uma fatia, mínima que seja, das instâncias da gestão pública.

A prática do fisiologismo é secular, tradicional, em nosso País. E aqueles que não o adotam são considerados infantis, imaturos, despreparados. Não sabem esses espertos que a voz rouca das ruas, sufocada pelos maus costumes políticos, prepara-se para romper os tímpanos da jovem democracia brasileira, a exemplo do que presenciamos nos movimentos de rua levados a efeito a partir de junho de 2013.

Os protestos, em determinadas épocas, como em tempos de copa do mundo, como a que experimentamos em 2014, tiveram o brilho empanado pelo civismo festivo da Nação de Chuteiras, mas a qualquer momento poderão ferir o ar contra as mazelas e o fisiologismo nosso de cada dia.

Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 13.02.18.

 

A opinião de dom Helder Câmara sobre o carnaval

No dia primeiro de fevereiro de 1975, na crônica “Um Olhar sobre a Cidade”, dom Helder Câmara, falava na rádio Olinda AM, em Pernambuco, sobre a importância do carnaval, conclamando o povo a participar, com alegria, dessa festa popular.

O padre que, por diversas vezes, foi ameaçado de morte em decorrência de suas pregações contra a tirania, as injustiças socioeconômicas e a ditadura militar, disse naquele dia que “Carnaval é a alegria popular. Direi mesmo, uma das raras alegrias que ainda sobram para a minha gente querida. Peca-se muito no carnaval? Não sei o que pesa mais diante de Deus: se excessos, aqui e ali, cometidos por foliões, ou farisaísmo e falta de caridade por parte de quem se julga melhor e mais santo por não brincar o carnaval. Estive recordando sambas e frevos, do disco do Baile da Saudade: ô jardineira por que estas tão triste? Mas o que foi que aconteceu….Tú és muito mais bonita que a camélia que morreu. BRINQUE MEU POVO POVO QUERIDO! MINHA GENTE QUERIDÍSSIMA. É VERDADE QUE 4a FEIRA A LUTA RECOMEÇA. MAS, AO MENOS, SE PÔS UM POUCO DE SONHO NA REALIDADE DURA DA VIDA!”

Lembremos um pouco de dom Helder. O bispo cearense detentor de extenso currículo em defesa dos pobres e um dos responsáveis pela criação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) fundou em outubro de 1959 o Banco da Providência, com o qual surgiu “a preocupação de arrecadar os recursos suficientes para fazer frente às necessidades das pessoas atendidas. Em dezembro de 59 é feita a primeira ação que daria origem dois anos depois a Feira da Providência. O bazar realizado no Copacabana Palace foi organizado por um comprometido grupo de voluntárias, que com muita mobilização conseguiu doações de empresários e contribuições de pessoas físicas, gerando assim um surpreendente resultado financeiro”, informa o site da Feira da Providência.

“Em 1961 realizou-se a 1ª Feira da Providência no Clube Piraquê. Desde a primeira edição o evento contou com o apoio dos estados, poder público, das representações diplomáticas, dos empresários e de um grande número de voluntários e do público em geral”, acrescenta o site.

“Para criar a identidade visual da Feira, D. Helder chamou seu amigo Ziraldo que criou o personagem carinhosamente apelidado de “Bocão” e hoje tem o recorde mundial do designer que fez o maior número de cartazes do mesmo evento, sem falhar um ano sequer!”

Pois bem. Ao lembrar dom Helder Câmara, brinquemos o carnaval ainda nesses dois dias que restam, este ano, sem o farisaísmo nem a hipocrisia que emanam de muitos. Mas é preciso cuidado para não exagerar e ter prejuízos depois. Que cada um use desse direito, sabendo que na quarta-feira de cinzas tudo volta ao normal, com as responsabilidades e os compromissos inadiáveis.

Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 12.02.18

 

 

 

Fisiologismo na política 1

Já dissemos que voltaríamos a tratar do político fisiologista. Retomemos, então, o assunto, por ser este um anos de importantes decisões por causa do pleito de outubro, quando escolheremos o presidente da República, senadores, deputados federais e deputados estaduais.

O fisiologista não é ninguém porque não representa absolutamente nada, apenas os seus interesses mais mesquinhos, a sua própria idolatria, o seu egocentrismo, o seu egoísmo. A ação do fisiologista é má, traiçoeira, interesseira, medíocre.

O fisiologista trai a própria consciência, se é que a tem, trai a si mesmo e a si mesmo desconhece porque o que lhe interessa são coisas miúdas, pequenas, passageiras, materiais.

O político (ou partido fisiologista) trai a própria mãe. Em atendimento às suas próprias insignificâncias, chega a mentir para a mãe, a quem só trata bem quando lhe serve. Esta, a mãe, quando atinge a idade avançada, é transferida para o abrigo pelo filho fisiologista porque ele, o filho fisiologista, dela já se utilizou, dela usufruiu as mais benditas carências e benefícios, desde a infância primeira.

O político fisiologista, muitas vezes, para satisfazer aos seus interesses pessoais, mente, engana, dissimula. Engana a própria mulher, quando é homem e, se é mulher fisiologista, engana o homem com quem dorme e de quem suga as forças para sobreviver, e o trai quando suas vontades são contrariadas.

O político fisiologista engana o filho e a filha. Se já enganou a mãe, engana o filho e a filha, produto de sua força biológica, sua energia cósmica.

Ora, se engana a companheira ou o companheiro, a mãe, a filha e o filho, engana o povo, o sofrido povo cujas bolsas famílias e bolsas buchos insultam a dignidade humana por causa da inexistência de políticas de valorização da pessoa humana como a construção de escolas e a destruição de presídios, a construção de igrejas e bibliotecas e a destruição de ídolos.

Se o fisiologista engana a mãe, engana a Pátria, porque o fisiologista não tem alma, não tem na alma o amor pela Pátria. É ingrato, não reconhece a terra em que nasceu. Suja e depreda a natureza.

A alma do fisiologista é a sua própria consciência, se a tem, ou melhor, sua alma é o seu interesse já que os seus interesses são a sua própria vida.

A pátria do fisiologista é o seu estômago, cujas vísceras exalam o mau cheiro da imoralidade, da indecência, da covardia, da mediocridade, da subserviência, da hipocrisia.

Esta é a ideia, cidadãos e cidadãs piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 09.02.18.

 

 

 

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