Domingos Bezerra

Domingos Bezerra

Construir a pátria, com ética

Vamos recordar, como já fizemos aqui, alguns episódios da nossa história.

Mais ou menos de 30 em 30 anos, achou-se de modificar a vida política para, segundo se dizia, mudar também a vida econômica.

De 1891 a 1930, as turbulências políticas e econômicas conduziram à Revolução de 30, que levou Getúlio Vargas ao Palácio do Catete, no Rio, sem ter sido eleito. Em 1945, Getúlio cai e volta em 1950, suicidando-se em 1954, em meio à crise que não havia se acabado.

As guerras ideológicas entre conservadores, liberais e revolucionários chegaram ao ápice com a vitória dos conservadores no movimento de 1964, apenas dez anos depois da morte de Vargas.

O país segue, então, sob a mordaça do regime militar durante 21 anos, até acender novas luzes com a Constituição Cidadã de 1988, clareando o futuro com o estabelecimento de direitos antes esquecidos, mas reclamados pelos mais marginalizados pela fragilidade da saúde, pela cor e pela raça, pela situação socioeconômica e política e pelo preconceito de origens variadas.

Se tivermos acuidade histórica vamos constatar que é sempre de 20 em 20 anos ou de 30 em 30 anos o intervalo para a geração de mudanças provindas das guerras ideológicas e culturais que oferecem nova trajetória ao país, seja para a frente, como ocorreu com a Constituição de 1988, ou para trás, como vimos com o golpe militar de 1964.

Hoje, embora o ambiente político e econômico mostre-se diferente, é claro, dos outros momentos históricos, identificamos o ressurgimento de frentes conservadoras com abertura de amplos espaços na sociedade, consequência, talvez, dos equívocos cometidos pelos progressistas, liberais e esquerdistas.

Faltou a estes três grupos – progressistas, liberais e esquerdistas – a definição de uma agenda para recompor os campos de ação e atuação permanente com identidade própria, cada um em sua arena.

Equivocaram-se todos, alguns embriagados pelo poder – sempre passageiro -, outros iludidos pela possibilidade de queda desses eventuais poderosos, e mais alguns, acomodados nas posições periféricas, mas garantidoras da proximidade do poder e dos ganhos que tal poder pode propiciar a quem faz a corte dos vencedores.

Urge, agora, reencaminhar o país a um novo estágio, fincado na ética. Não na ética conservadora que só enxerga o próprio umbigo, mas na ética reformadora que mire o respeito aos direitos e deveres da cidadania.

Só assim será construída efetivamente a pátria brasileira que todos queremos.

Esta é a ideia, cidadãos brasileiros.

Domingos Bezerra Filho

 

O apoio dos grupos

A cada eleição notamos que grupos ideológicos formadores de opinião, com o justo direito que a lei lhes concede, se manifestam em favor deste ou daquele candidato. Foi assim com a eleição de governador aqui e em outros estados. E está se repetindo na campanha, em segundo turno, para presidente da República.

Os presidenciáveis Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL) percorrem vários setores sociais em busca de apoio, conversam com representantes de trabalhadores e de empresários, com militares, com religiosos das várias crenças e denominações etc.

Ontem mesmo, Jair Bolsonaro conversou com católicos, no Rio de Janeiro, e Fernando Haddad dialogou com evangélicos. Cada um apresentando propostas, prometendo atendimento a reivindicações desses grupamentos sociais.

Essas movimentações são muito naturais. Cada candidato tenta convencer os cidadãos de que suas propostas são as melhores. Falam, por exemplo, não apenas para os seus virtuais eleitores, mas também para aqueles considerados indecisos.

Devemos observar, por exemplo, se os candidatos falam somente para grupos, fortalecendo a divisão ideológica no país, o que não é recomendável, porque o país é de todos, e não de um ou outro ideólogo.

Não se pode governar para grupos, quaisquer que sejam eles. Em princípio, e isso a Constituição prevê, a gestão pública, especialmente a exercida pelo poder representado pelo presidente da República, há de ocupar-se da ordem pública de modo geral, o que não ocorreria se ele governasse para grupos ou para os seus mais próximos. Um presidente que assim se comportasse estaria incentivando a divisão social, podendo advir dessa divisão uma crise sócio-política e econômica.

Devemos, então, observar com muito cuidado o que dizem os dois que pretendem alcançar o Palácio do Planalto.

Eles devem oferecer alternativas para que o país saia da crise. O presidente da República deve atuar como líder máximo da nação, deve dar o exemplo, deve ser ético, justo, honesto, correto, digno da confiança do seu povo, não de grupos.

Assim prescrevem os mais simples mandamentos de gestão pública.

Assim pensavam e agiam os grandes líderes ao redor do mundo, ou seja, procuravam ser justos, como Salomão, que, para descobrir qual mulher falava a verdade ao reivindicar a maternidade de uma criança, mandou que cortassem a criança ao meio. Foi quando a mãe verdadeira reagiu pedindo que o rei deixasse vivo seu filho. Salomão, então, entendeu quem era a verdadeira mãe e entregou a criança a ela.

Pois é. Qual candidato é justo? Qual candidato é honesto? Qual candidato consulta o interesse público e não os grupais?

É bom pensar.

Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Editorial do Jornal da Teresina 2ª Edição de 18.10.18.

 

 

 

 

 

 

 

O domínio das ideias e a escolha de cada um

Todos somos testemunhas da intolerância hoje presente no contexto social. Queremos chamar a atenção para a necessidade de se respeitarem as diferenças ideológicas e as escolhas que cada faz durante a campanha.

O Brasil contabiliza mais de 208 milhões de habitantes; destes, mais de 147 milhões de eleitores escolherão o presidente no dia 28, depois da votação do dia 7, quando alguns governadores, senadores e deputados estaduais e federais foram eleitos.

O Brasil vive momento de amplas oportunidades da expressão do pensamento.

Experimentamos o amadurecimento da democracia no instante em que as novas tecnologias de informação e comunicação abrem oportunidades jamais vistas para a sedimentação do processo de comunicação social e da democracia.

Hoje, não mais se admitem os guetos ideológicos estabelecendo ditaduras de pensamentos, ideias, posições. Hoje, é preciso saber conviver com as diferenças e respeitá-las em todos os sentidos, em todas as ocasiões, em todos os lugares.

Os espaços físicos, a geografia física da dominação das ideias foi destruída pelos mais modernos e contemporâneos processos, equipamentos e ferramentas de comunicação.

Contudo, os mais ignorantes – esquerdistas ou direitistas, centristas, aproveitadores, usurpadores etc e tal – tentam impingir seus pensamentos, ideias, obras e até omissões no contexto social, desconhecendo que cada pessoa é diferente de outra, constrói seu próprio universo psíquico, emocional, físico, e que todas merecem o mesmo direito à palavra, à ideia, à expressão do pensamento. Esta é uma condição social.

Você deve estar se perguntando por que estamos a falar disso: liberdade de pensamento, de ideias, de expressão e consequentemente, de imprensa, de comunicação.

Ora, os ânimos em torno da política partidária estão bastante acirrados no Piauí e no Brasil. Ao contrário do que se imagina, não são apenas os candidatos nem os partidos políticos que determinam as nossas vidas. Um composto bastante complexo e diversificado forma as nossas identidades.

O Brasil é todos nós.  Como disse Rui Barbosa: “A pátria não é ninguém; são todos; e cada qual tem no seio dela o mesmo direito à ideia, à palavra, à associação. A pátria não é um sistema, nem uma seita, nem um monopólio, nem uma forma de governo; é o céu, o solo, o povo, a tradição, a consciência, o lar, o berço dos filhos e o túmulo dos antepassados, a comunhão da lei, da língua e da liberdade”.

Esta é a ideia.

Domingos Bezerra Filho

Editorial do Jornal da Teresina 2ª Edição de 17.10.18

 

 

 

Brasil polarizado

O Brasil de hoje não é o mesmo dos anos 50 e 60 do século passado, mas um fenômeno se repete: a polarização entre a esquerda e a direita. Naquela época, a concentração de ideias conservadoras era significativamente maior e, para enfrentá-la, seguindo a tendência de mudanças e revoluções que se registravam no mundo, os grupos de esquerda se proliferavam.

Foi a época dos movimentos hippies, da explosão do rock n’rooll, da revolução feminina, da corrida espacial, do recrudescimento da guerra fria entre Estados Unidos e União Soviética com a eclosão de guerras aos redor do mundo em busca exatamente da implantação das ideologias capitalista e comunista.

Foi também o princípio de guerrilhas pensadas no interior dos grupos de esquerda. Foi igualmente um momento em que os capitalistas procuraram se fortalecer, expandindo seu poder e ampliando os tentáculos da globalização econômica iniciada ainda no princípio das grandes navegações.

O final dos anos 50 e início da era de 60 do século XX foram marcados por grandes mudanças nos contextos social, econômico, político e no ambiente familiar com a difusão massiva das drogas e dos movimentos da juventude contra o conservadorismo.A juventude arquitetou novos modos de ser, vestir, ver, sentir, enfim, viver.

A geopolítica internacional sofreu mudanças consideráveis na sua estrutura e ainda hoje são sentidas as consequências da alteração. O Brasil sofreu as influências daquela época. Melhor dizendo, o Brasil também estava inserido naquele mundo em mudança e aqui também se processaram os movimentos inventados ao redor do mundo. Em maior ou menor escala. No Brasil e na América Latina, quando uma série de ditaduras se aboletou nas frágeis democracias.

No Brasil, após idas e vindas, e depois da escritura da Constituição de 1988, a democracia vai aos poucos tentando se sedimentar, fincar suas bases na consciência nacional. E agora estamos presenciando os aqueles dois polos representados nesta eleição em segundo turno por Fernando Haddad (PT) e Jair Bolsonaro (PSL), os quais querem convencer a população de que no Palácio do Planalto vão reunir o sentimento nacional.

Equivocadamente, a polarização, que é normal na política, não consulta os graves pesares do povo, não mira as aspirações gerais da formação cultural da nação brasileira – altamente diversificada, uma mistura, um caldo quente em ebulição permanente, efervescendo cotidianamente na alma pátria.

Equivocados, os dois candidatos se dirigem a grupos, construindo cada dia guetos ideológicos e mantendo o desrespeito à cidadania.

Esta é a ideia.

Domingos Bezerra Filho

Editorial do Jornal da Teresina 2ª Edição de 16.10.18

 

 

 

 

2 milhões e 500 mil professores brasileiros comemoram hoje seu dia

Afianço-me em duas matérias: a primeira, do professor-mestre Rodolfo Alves Pena, do site Brasil Escola, e a segunda, assinada pela jornalista Carolina Gonçalves, da Agência Brasil, para informar e refletir sobre a profissão de professor, cujo dia se comemora hoje.

Rodolfo Alves Pena lembra o começo da homenagem. Em 15 de outubro de 1827, o imperador D. Pedro I criou o Ensino Elementar no Brasil, “com a instituição das escolas de primeiras letras em todos os vilarejos e cidades do país”, estabelecendo “a regulamentação dos conteúdos (…) e as condições trabalhistas dos professores”.

 Em 1947, “o professor paulista Salomão Becker, em conjunto com três outros profissionais da área, teve a ideia de criar nessa data um dia de confraternização em homenagem aos professores e também em razão da necessidade de uma pausa no segundo semestre, até então muito sobrecarregado de aulas”.

 “Mais tarde, em 1963, a data foi oficializada pelo decreto federal nº 52.682, que, em seu art. 3º, diz que ‘para comemorar condignamente o dia do professor, os estabelecimentos de ensino farão promover solenidades, em que se enalteça a função do mestre na sociedade moderna, fazendo delas participar os alunos e as famílias’. O responsável por aprovar esse decreto foi o presidente João Goulart”, conta Rodolfo Alves Pena.

 A matéria de Carolina Gonçalves informa que “o número de professores no Brasil passa de 2,5 milhões, segundo censos educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) referentes a 2017. Desse universo, 340 mil professores estavam atuando”.

Dos que estavam em sala de aula, “4,3 mil têm diploma superior; 65,4 mil, especialização; 128,4 mil, mestrado; 143,4 mil, doutorado. Apenas 10 deles não tinham graduação”, diz a jornalista.

Nada menos do que 2,192 milhões atuam na educação básica e 349.776 são do ensino superior. “Do total de professores, 345,6 mil estão na zona rural”, informa.

“A maioria dos professores tem entre 30 e 39 anos. Mulheres representam quase 70% do corpo docente no país”, atesta a matérias.

Esses dados são consolidados a partir de informações das secretarias estaduais e municipais de educação e escolas públicas e privadas. Já a estatística sobre o ensino superior traz informações sobre cursos de graduação presencial ou a distância, sequenciais, “vagas oferecidas, inscrições, matrículas, ingressantes e concluintes e informações sobre docentes nas diferentes formas de organização acadêmica e categoria administrativa”.

O piso nacional do professor é de R$ 2.455,00. É comum ouvir-se que a educação é a base de tudo e que o professor é o seu principal agente. Você acha que esse salário valoriza o professor? Mas uma escola não se faz apenas com professores. A comunidade escolar é integrada pelas famílias, pelos funcionários e pelos alunos, liderados pelos professores.

Temos escolas exemplares espalhadas por todo o país, mas nos deparamos com escolas sem condições de funcionamento, onde a violência impede a ação educacional. Nessa unidade multiprofissional, multidisciplinar, há seres humanos das mais variadas conformações emocionais, psicológicas, sociais, econômica, ideológicas etc, que merecem convivência sadia, e o profissional da educação é o principal ator, sendo obrigado a ser babá, psicanalista, amigo, companheiro, repassador e construtor de conhecimentos. Além disso, muitas vezes se faz de pai e de mãe.

Cada um de nós teve um professor ou uma professora e dele ou dela se recorda, com algum carinho e reverência, identificando em cada uma dessas pessoas uma criatura especial talhada para a construção de novos mundos, a confecção de novos horizontes, a formação da cidadania, a edificação do futuro.

Com estas palavras, simples, mas sinceras, ficam as nossas homenagens a todos os professores do Piauí e do Brasil.

Esta é a ideia.

Domingos Bezerra Filho

Editorial do Jornal da Teresina 2ª Edição de 15.10.18.

 

A fé católica do povo brasileiro

Ano a ano o Brasil comemora o Dia de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do país desde 16 de julho de 1930, ano em que o papa Pio XI proclamou Maria como Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Rainha do Brasil.

No dia 12 de outubro de 1980 começou a vigorar o feriado e foi consagrado o Santuário Nacional de Aparecida pelo Papa João Paulo II. O Dia de Nossa Senhora Aparecida foi instituído pela Lei nº 6.802, de 30 de junho de 1980, sancionada pelo então presidente João Figueiredo, após decreto do Congresso Nacional.

As homenagens à santa remontam ao século XVIII. Conta-se que em 1717, pescadores tentavam pescar para um jantar especial para o Conde de Assumar. Quando já pensavam em desistir o pescador João Alves encontrou uma imagem de Nossa Senhora da Conceição, primeiro o corpo e depois a cabeça, enrolando-a em um manto. Logo depois suas redes estavam repletas de peixes, o que foi considerado um milagre.

Passaram-se 17 anos para a edificação da primeira capela, que se tornou ponto de peregrinação de viajantes. A Princesa Isabel, em 1868, presenteou a imagem com um manto azul e uma coroa cravejada de diamantes. O primeiro santuário foi construído em 1946.

Consta que Maria, a mãe de Jesus, teve aparições em vários países em momentos considerados de alguma importância histórica, sempre deixando uma mensagem para os fieis, transmitida, primeiro, aos que a veem.

No Brasil, apareceu em forma de uma imagem negra, como já mencionamos, em momento histórico em que a escravidão era um dos grandes males do país.

Todos os dias, a peregrinação é grande a Aparecida, no estado de São Paulo. A religiosidade do brasileiro e a fé na santa ganham milagres os mais diversos.

E hoje é um dia especial, quando milhões de brasileiros rezam à sua santa predileta pedindo perdão pelos pecados e atendimento a alguma dor, física, moral, psicológica, emocional, afetiva ou de outra ordem qualquer.

Lembremos todos, mesmo aqueles que não professam nenhuma religião, as aspirações de nosso povo nessa quadra difícil que o país atravessa.

E aos católicos fica a mensagem: peçam também à nossa santa padroeira que redirecione os caminhos do Brasil.

Esta é a ideia.

Domingos Bezerra Filho

Editorial do Jornal da Teresina 2ª Edição de 12.10.18.

 

População quer gestão ética e sem corrupção

O que nos reserva a campanha do segundo turno da eleição presidencial? O eleitor está se fazendo esta pergunta na expectativa de escolher o candidato que vai assumir o Palácio do Planalto no dia primeiro de janeiro de 2019.

Temos dois extremos para optar por um deles: a direita representada por Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal, e a esquerda, com Fernando Haddad, do Partido dos Trabalhadores.

Cada um vai oferecer rumos um pouco diferentes à campanha que já recomeçou e tem início amanhã no rádio e na televisão. Os encontros, as reuniões dos dois grupos com vistas a ampliar o leque da votação obtida no primeiro turno se desenrolam.

Alguns partidos liberaram seus filiados, outros impõem os candidatos. Imposição esta que fere os princípios democráticos, os quais consagram ampla liberdade de escolha e sigilo na hora da deposição do voto na urna.

Mas a vida democrática também permite aos partidos políticos exigir dos seus filiados fidelidade partidária, ou seja, o cumprimento dos princípios listados nos seus estatutos.

À direita, o PSL defende a ampla liberalidade do Estado, tanto na economia, quanto na política partidária, recorrendo aos valores da Pátria e da família como balizas para a vida social.

À esquerda, o PT prega não mais o socialismo pelo qual lutada há algumas décadas. Hoje, mais parece com a social-democracia, tendo até se aliado a partidos de centro para gerir o Estado nos governos Lula e Dilma Rousseff.

E o povo brasileiro, o que diz? O que quer o povo brasileiro?

Acredito que nem direita nem esquerda. Acho que esta não é a preocupação da grande massa de nossa população. O que ela pretende é a gestão ética, cívica, honesta da coisa pública, sem os desníveis morais e profissionais registrados em todos os rincões do Brasil.

Pelo menos este foi um dos sinais expostos na votação do dia 7, com forte influência dos resultados obtidos pela Operação Lava-Jato.

Este é a ideia.

Domingos Bezerra Filho

Editorial do Jornal da Teresina 2ª Edição de 11.10.18.

 

 

 

 

 

Um novo Brasil?

Passada a eleição do primeiro turno, o Brasil tenta voltar ao normal na expectativa da realização do segundo turno, com Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT).

A dupla representa uma miríade de sentimentos e aspirações alimentadas pela população brasileira durante décadas em que o poder público foi assaltado por uma quadrilha que levou para si não apenas as rédeas do poder, mas os cofres da nação.

Quase acabaram com o país. Quase acabaram com a Petrobras. Quase acabaram com a esperança. Quase acabaram com os sonhos. Mas o sonho, o sonho não se acaba assim tão fácil.

Martin Luther King disse em um discurso memorável: Eu tenho um sonho, um sonho de um dia ver meus filhos serem tratados como pessoas iguais às outras pessoas e não pela cor da sua pele.

O brasileiro diz hoje que o sonho de nação se perpetua e ninguém, mas ninguém mesmo, tem o direito de pelo menos tentar reduzir essa capacidade de sonhar.

O sonho do brasileiro é o de ser tratado como gente, como pessoa que se orgulha de ser gente de ser pessoa, com direitos e obrigações, respeitando o semelhante, os animais, a natureza.

Independentemente da cor da pele, da natureza sexual, da escolha por qualquer credo, da opção por esta ou aquela ideologia, o brasileiro quer ser respeitado, quer o feijão, o arroz, a carne, a verdura no prato de cada santo dia.

O brasileiro quer vestir sua roupa vermelha ou azul sem que ninguém lhe aponte o dedo qualificando-o com petista ou tucano.

A cor do Brasil é o verde e amarelo e outras cores que embelezam nossa bandeira, onde as estrelas representam cada estado.

E em cada estado, o homem, a mulher e a criança sorriem e choram nos momentos de felicidade ou de tristeza.

Em cada estado, em cada cidade, homem, mulher e criança, independentemente de quaisquer interesses que possam mover suas ações, se abraçam e debatem socializando seus sentimentos, suas ideias, seus sonhos, suas inseguranças, suas certezas.

Porque o Brasil não é de ninguém isoladamente. O Brasil é de todos. E todos têm direito à ideia, à palavra, à liberdade.

Esta é a ideia.

Domingos Bezerra Filho

Editorial do Jornal da Teresina 2ª Edição de 10 de outubro de 2018.

 

O atentado a Bolsonaro

O Brasil foi pego de surpresa com a notícia, na tarde de ontem, do ataque ao candidato à Presidência da República, deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), durante evento público em Juiz de Fora (MG).

O suspeito, autor confesso da agressão, o servente de pedreiro Adélio Bispo de Oliveira, ainda tem muito a explicar.

Segundo a imprensa, a ação foi isolada, originária das diferenças de crenças e ideias do autor do crime em relação ao candidato Bolsonaro. A agressão será devidamente apurada pela inteligência da Polícia Federal e, depois, teremos, pelo menos é o que se espera, o esclarecimento do crime.

As especulações se multiplicam por todos os lados, especialmente nas redes sociais, através das quais internautas exercitam a inteligência inventando coisas as mais absurdas que, por isso mesmo, não devem ser levadas em conta.

Antes de tudo, porém, é forçoso raciocinar que ao suspeito, agindo por conta própria, com o auxílio ou a mando de outrem, faltou o mínimo de bom senso, inteligência, controle emocional, senso de oportunidade. Sorte dele, que foi preso logo. Caso contrário talvez não estivesse contando a história porque a fúria dos liderados por Bolsonaro faria justiça com as próprias mãos.

Temos uma certeza: o Brasil dividido é um Brasil violentado. Não é preciso que tudo seja 100%, que esteja tudo correto ou tudo errado, mas é mais do que certo que a violenta divisão da sociedade brasileira leva-nos aos extremos das ideias, dos pensamentos, das ações tresloucadas – pessoais e isoladas – como a desse homem de 40 anos de idade.

Sem levar em conta as inclinações ideológicas de Adélio, que não estão esclarecidas e que não justificam a tentativa do assassinato, o episódio impõe o exercício do respeito às diferenças dada a dimensão geográfica e populacional do país, bem como a condição natural da pessoa humana.

Ao se respeitarem as diferenças, inaceitável será a prática do crime e da intolerância, e todo aquele que ousar quebrar a regra das leis merece a punição recomenda pelo regulamento jurídico nacional.

Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos brasileiros.

Domingos Bezerra Filho

Editorial do Jornal da Teresina 2ª Edição de 07.09.18

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando o povo é governado por ignorantes não tem prosperidade

A Bíblia, livro sagrado que conta a história do mundo com um determinado tipo de visão, de certa forma diferente da ciência histórica, está repleta de exemplos de líderes que invocaram o nome de Deus em auxílio aos seus governos.

Hoje, o Brasil está assistindo a um desfile de propostas dos candidatos às eleições de 7 de outubro, a maioria delas seguidas da invocação de Deus, como Ser Supremo, sábio e protetor de todos e de tudo.

O Rei Salomão, filho do Rei Davi, o fundador de Israel, segundo a tradição israelita, é considerado sábio. Deixou muitos textos em que sua sabedoria resplandece e ensina os caminhos aos súditos.

Em um momento importante da sua vida, Salomão pediu sabedoria a Deus, pediu discernimento, e Deus, ao atendê-lo, concedeu-lhe também riqueza, poder, opulência, além da sabedoria pedida.

O padre Reginaldo Manzote, em seu programa de rádio, falou um dia da sabedoria necessária aos governantes. Disse que quando falta sabedoria aos líderes, não haverá prosperidade no país.

Pensemos, então, na situação do povo brasileiro, que clama por prosperidade, por escola de boa qualidade, por saúde que atenda às suas necessidades, por segurança pública que o deixe tranquilo dentro e fora de casa, por segurança alimentar que lhe permita ter saúde para o trabalho e o estudo, por segurança financeira que lhe impeça a infelicidade de se entregar aos financistas, por tranquilidade, por paz de espírito.

É claro que muitos desses valores não são conquistados aleatoriamente. Aliás, nada é conquistado aleatoriamente. Precisamos de dedicação, persistência, estudo, disciplina.

Ao tempo em que vemos nossos políticos falarem de Deus, ao pedir o voto, reflitamos sobre as condições do exercício da gestão pública, já que todos eles gerem a coisa pública, seja no Executivo ou no Legislativo, ou, ainda, em extensão, no Judiciário, que não é estritamente um poder político, mas é essencialmente político porque aplica as leis aprovadas pelos políticos e ajuda a regular a sociedade ao fazer cumprir os direitos e os deveres dos cidadãos.

Como disse Reginaldo Manzote, só há prosperidade onde os governos são orientados por sábios. E é bom não entender por sábio quem é graduado ou detém o título de doutor. Sábio é quem identifica, com serenidade, o que é necessário e imprescindível ao povo e age para atendê-lo, proporcionando o advento da prosperidade.

Há muitos doutores ignorantes, ou seja, sem conhecimento, sem sabedoria, sem discernimento, apenas ostentam títulos com orgulho. Com muito orgulho. É quando vemos governos desastrosos, em que a saúde, a educação, a segurança e outros setores são uma negação geral.

Salomão, com dissemos, pediu sabedoria. Queira Deus, então, conceder um pouco de sabedoria aos nossos políticos para oferecerem governos justos ao sofrido povo brasileiro.

Esta é a ideia, cidadãos e cidadãs piauienses.

Editorial do Jornal da Teresina 2ª Edição de 06.09.18.

Domingos Bezerra Filho

 

 

 

 

 

 

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