Domingos Bezerra

Domingos Bezerra

Sonhar é preciso

O feriado de hoje marca o aniversário dos 166 anos de Teresina, fruto da obstinação de José Antônio Saraiva.

Saraiva era baiano, amigo próximo, auxiliar e conselheiro do imperador Dom Pedro II.

Era um sonhador. Jovem com pouco mais de 20 anos de idade, transferiu a capital do Piauí para a Teresina que construía com o auxílio do mestre de obras João Isidoro França, secretário-geral de Obras do presidente da província – ele, Saraiva.

Ouçam bem: Saraiva era um sonhador. Um sonhador que regou seu sonho. Um sonhador que alimentou seu sonho. Um sonhador que sedimentou seu sonho. Um sonhador que construiu seu sonho.

Um sonho que não era simplesmente um sonho. O sonho de Saraiva mirava o desenvolvimento do Piauí a partir de Teresina. Era um grande sonho.

Mas o que é um sonho? O que significa um sonho? Quanto vale um sonho? O sonho vale uma vida?

E o sonhador? O que dizer do sonhador? Quanto vale um sonhador?

Serei exagerado: sem os sonhadores, o mundo teria acabado. Tudo do que o mundo é hoje deve aos esforços, aos estudos, à perseverança, à dedicação, à coragem, à lucidez, à boa-vontade, ao trabalho e ao sonho; ao sonho dos poetas, dos escritores, dos jornalistas, dos cientistas, dos estudantes, dos trabalhadores, todos sonhadores inveterados, construtores de riquezas, construtores do futuro.

Foi o sonho de Leonardo Da Vinci que projetou para o futuro a ideia do carro. Foi o sonho de Alfred Nobel que descobriu o poder da nitroglicerina para a invenção da dinamite. Foi o sonho de Santos Dumont que fez aproximar, hoje, os mundos todos em questões de horas. Foi o sonho de Benjamin Franklin que jogou mais luz nos conhecimentos sobre a eletricidade. Foi o sonho de Gutenberg que ajudou a revolucionar a história com a construção dos tipos móveis possibilitando o surgimento da imprensa.

Qual a natureza dos sonhos? O que move os sonhos? O que robustece os sonhos? Os sonhos respondem pelo progresso da educação e da tecnologia, da ciência e da literatura; os sonhos respondem pela nossa existência.

Foram o sonho e a revolta de Lutero que amplificaram a doutrina cristã. Foi o sonho de Allan Kardec que codificou o Cristianismo e foi o sonho de Jesus Cristo que mudou o mundo, que dividiu a história em duas: antes e depois Dele.

É preciso sonhar. Aqui sonhamos, reconstruindo o sonho deixado por Hipólito José da Costa, patrono da imprensa brasileira, fundador do Correio Braziliense, em junho de 1808, em Portugal.

É preciso sonhar. Aqui sonhamos como Saraiva sonhou.

É preciso sonhar. Sonhar com os pés no chão, vencendo as distâncias e as tormentas.

Esta é a ideia, para todos nós, cidadãos piauienses.

(*) Opinião de Domingos Bezerra Filho no Jornal da Teresina 2ª Edição de 16.08.18.

 

Um apelo à substância

Transcrevo editorial do Jornal do Brasil desta quarta-feira (15).

Em bom tempo, para contrastar com a suspeita de que os eleitores desinteressam-se pelo que as urnas haverão de revelar em outubro, é significativo o número dos que têm manifestado preocupação com a falta de substância nas entrevistas dos candidatos à Presidência da República e nos debates que têm travado no vídeo e nos microfones. Estariam sobrando adjetivos e faltando substantivos, anotam os mais exigentes. Observe-se que, por dedução, se reclamam melhores condições para a elaboração de preferências, é porque desejam julgar com rigor as opções que estão sendo oferecidas; portanto, estariam agora se interessando mais pelo processo que está em curso. O que é bom saber, porque a apatia é a última coisa a se tolerar numa eleição que vai mostrar a cara do futuro presidente.

Esse pretender conhecer mais, parece estar claro, não se limita apenas à imagem e às ideias de quem pretende suceder ao presidente Temer. Há algo além a figurar na pauta do eleitor que pede redobrado conteúdo nos programas, e não pôde sentir isso no que tem visto e ouvido, até agora. Um dos pontos que convém citar, para corresponder aos ansiosos, é o melhor conhecimento do candidato à vice-presidência, que, elegendo-se, precisa estar permanentemente identificado com as questões nacionais, pronto a ocupar o vácuo das eventualidades. Não pode ser apenas um substituto nos períodos de férias do titular. O que os brasileiros conhecem desses segundos nomes das chapas é muito pouco; é quase nada.

Falando-se em escassa substância, também há que se debitar uma cota significativa aos partidos, que, em geral, acostumaram-se a considerar esgotada sua missão ao apresentar as candidaturas, aguardando  que tenham aprovação no Tribunal Superior Eleitoral. Conveniente, ainda em atenção ao eleitorado, tratando-se dos menores nas alianças, que também eles ocupassem os meios de comunicação, para expor o que os levou a esta ou àquela indicação para figurar na chapa majoritária e submetê-la às urnas. Mais ainda: quando for cobrado a mostrar a cara, os partidos têm de endossar a candidatura que em seu nome está sendo apresentada. Ideal é que detalhassem suas propostas filosóficas e programáticas, mas seria cobrar além do que podem oferecer na presente conjuntura.

A aproximação com o eleitor, se em outros pleitos era necessária, muito agora, quando o tempo de campanha ficou reduzido a 45 dias; período até razoável para a exposição da imagem na televisão, mas escasso, quando se pretende conhecer melhor, não só um perfil, mas em cada postulante aquela substância já referenciada.

Uma campanha, para estar o mais próximo possível do ideal, teria de contar com amplo envolvimento das entidades partidárias. Sobra uma evidência que, por si só, seria bastante para essa participação: na legislação que atualmente rege a criação e o funcionamento dessas organizações, é indispensável que tenham caráter nacional, ainda que se possa discutir se também devessem ter âmbito nacional. Cuidou o legislador de impedir que vivessem, como nos tempos da Velha República, para servir apenas a propósitos regionais. Desde então, o partido, seja de centro, esquerda ou direita – e mesmo que tenha cor nenhuma – tem de falar para toda a nação.

Nem tudo que se propõe, com base na experiência de hoje, valeria para a eleição que vai chegando; mas se resultar alguma coisa como contribuição para o futuro já justificaria.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 15.08.18.

Jornal do Brasil

 

Congresso está atravessado pela corrupção

Professor José Arthur Gianotti

Em entrevista a Naief Haddad, na Folha de S. Paulo, o professor aposentado de Filosofia José Arthur Giannotti, afeito ao debate político, volta à cena com declarações contundentes sobre o Brasil atual. Em determinado momento ele afirma que o PSDB morreu, não é mais um partido, e critica o presidente Michel Temer (PMDB) e os partidos de oposição, como o PT e o PSOL.

Giannotti entende que a crise atual é pior do que a de 1964, quando os militares tomaram o poder com apoio civil. Para ele, não há ninguém que tenha solução para crise.

Na opinião de Giannotti, “a primeira obrigação da esquerda deveria ser a compreensão do que é o capital moderno… No Brasil e nos demais países da América Latina, o que nós tivemos foi populismo (…). Acrescenta que os partidos de esquerda “pensam a revolução e o capital nos termos do século 19. A esquerda precisa pensar o que é o capital, e o capital moderno é o do conhecimento, é o que produz a base para uma diferença de tecnologia. É assim que os EUA estão saindo da crise”.

“No caso do Brasil, a situação é apavorante porque o populismo destruiu as condições para que tivéssemos grandes avanços nas pesquisas. O populismo foi, sob esse ponto de vista, altamente nocivo. Nós saímos da crise, mas não saímos do século 20”. Por que ele diz isso? “Não temos estrutura para produzir a tecnologia necessária para o capitalismo moderno”, responde.

Quanto ao Congresso, afirma ser ele atravessado pela corrupção, que passou a ter, em alguns momentos da história, como o atual, uma “função política. Se não fosse assim, não teria nascido a Lava Jato, que é um processo jurídico-político”.

A entrevista de José Arthur Giannotti pode ser lida na Folha On-line. Você pode não concordar com as opiniões do professor, mas sem dúvida verá que ele joga um raio de luz sobre a realidade brasileira.

É tempo de renovar e de pensar em um novo tempo.

Esta é a ideia.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 14.08.18.

 

 

Analfabetismo é ainda um sério problema do Brasil

Vamos abordar hoje o problema do analfabetismo no Brasil, uma questão secular que facilita os desvios administrativos e políticos, embora tais desvios não sejam comuns ou mais presentes apenas nos países onde as taxas de analfabetismo são altas.

Pois bem. Matéria da Agência Brasil de dezembro do ano passado informa que “em 2016, a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais de idade no Brasil foi estimada em 7,2% (11,8 milhões de analfabetos). Esse percentual apresentou relação direta com a faixa etária, aumentando à medida que a idade avançava, até atingir 20,4% entre as pessoas com mais de 60 anos.”

O texto prossegue: “A meta 9 do Plano Nacional de Educação (PNE), lei sancionada em 2014, previa a redução da taxa de analfabetismo para 6,5%, em 2015 no país, o que não foi alcançado, conforme mostra a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) 2016, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).”

“A taxa de analfabetismo para as pessoas pretas ou pardas (9,9%) – nomenclatura usada pelo IBGE – foi mais que o dobro da observada entre as pessoas brancas (4,2%) em todas as regiões do país”, diz a Agência Brasil.

“Segundo o IBGE, o Nordeste apresentou a maior taxa de analfabetismo (14,8%), índice quase quatro vezes maior do que as taxas estimadas para o Sudeste (3,8%) e o Sul (3,6%). No Norte, a taxa foi 8,5% e no Centro-Oeste, 5,7%. A meta 9 do PNE para 2015 só foi atingida nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste”, atesta o site.

“Para a analista do IBGE Marina Aguas, as políticas públicas de redução do analfabetismo devem focar as regiões Norte e Nordeste”, opina.

“No país, a taxa de analfabetismo para os homens de 15 anos ou mais de idade foi 7,4% e para as mulheres, 7%”, prossegue.

Segundo a analista da Coordenação de Trabalho e Rendimento do IBGE, Helena Oliveira Monteiro, “a pesquisa mostra a continuidade das diferenças regionais e a desigualdade por cor ou raça”, favorecendo as pessoas brancas, realidade associada à renda, ou seja, quem tem maior renda tem igualmente mais acesso ao ensino.

“No Brasil, 51% da população de 25 anos ou mais tinham até o ensino fundamental completo ou equivalente em 2016; 26,3%, o ensino médio completo, e 15,3%, o superior completo”, diz o texto da Agência Brasil.

“Considerando a cor ou raça, as diferenças no nível de instrução são significativas: enquanto 7,3% das pessoas brancas não tinham instrução, 14,7% das pessoas pretas ou pardas estavam nesse grupo. Situação inversa ocorreu no nível superior completo: 22,2% das pessoas brancas tinham esse nível de instrução, ao passo que entre as pretas ou pardas a proporção era de 8,8%”, analisa.

O texto de hoje foi mais informativo do que dissertativo.

Para finalizar, a constatação de que as regiões Norte, Nordeste, e os pobres e pretos são os mais prejudicados.

Esta é a ideia, nobres ouvintes.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 13.08.18.

 

 

Ética deve orientar a construção de um novo Brasil

(*) Domingos Bezerra Filho

Em um pronunciamento no ano passado, o presidente Michel Temer fez breve, mas sensato relato, em solenidade em Brasília, ao lembrar que o povo brasileiro gosta de centralização do poder tendo apoiado as constituições, todas centralizadoras de poder, a partir da primeira, a de 1891.

Temer recordou que, mais ou menos de 30 em 30 anos, os brasileiros acham de modificar a vida política brasileira. De 1891 a 1930, as turbulências políticas e econômicas conduziram à Revolução de 30, que levou Getúlio Vargas ao Palácio do Catete, no Rio. Em 1945, Getúlio cai e volta em 1950, suicidando-se em 1954, em meio à crise que não havia se acabado.

As guerras ideológicas entre conservadores, liberais e revolucionários desembocaram com a vitória dos conservadores no movimento de 1964, apenas dez anos depois da morte de Vargas.

O país segue, então, sob a mordaça do regime militar durante 21 anos, até acender novas luzes com a Constituição Cidadã de 1988, clareando o futuro com o estabelecimento de direitos antes esquecidos, mas reclamados pelos mais marginalizados pela doença, pela cor e pela raça, pela situação socioeconômica e política e pelo preconceito de origens variadas.

Se tivermos acuidade histórica vamos constatar que é sempre de 20 a 30 anos o intervalo para a geração de mudanças provindas das guerras ideológicas e culturais que fazem o país oferecer nova trajetória, seja para a frente, como ocorreu com a Constituição de 1988 ou para trás como vimos com o golpe militar de 1964.

Hoje, embora o ambiente político e econômico mostre-se diferente, é claro, dos outros momentos históricos, identificamos o ressurgimento de frentes conservadores com abertura de amplos espaços na sociedade, consequências, talvez, dos equívocos cometidos pelos progressistas, liberais e esquerdistas.

Faltou a estes três grupos – progressistas, liberais e esquerdistas – a definição de uma agenda para redefinir os campos de ação e atuação permanente com identidade própria, cada um em sua área.

Equivocaram-se todos, alguns embriagados pelo poder – sempre passageiro -, outros iludidos pela possibilidade de queda desses eventuais poderosos e mais alguns, acomodados nas posições periféricas, mas garantidoras da proximidade do poder e dos ganhos que esse poder pode propiciar a quem faz a corte.

Urge, agora, reencaminhar o país a um novo estágio, fincado na ética. Só assim será construída efetivamente a nação brasileira que todos queremos.

Para concluir: o debate de ontem, na Band, o primeiro de uma série, revelou que a vaidade dos nossos candidatos a presidente é superior aos anseios do nosso sofrido e esperançoso povo.

Esta é a ideia, nobres ouvintes.

(*) Domingos Bezerra Filho

 

 

 

 

 

 

 

Povo piauiense deve definir as prioridades do estado

No dia 28 de junho de 2016, o governador Wellington Dias (PT) se reuniu com a bancada piauiense na Câmara dos Deputados e no Senado Federal para definir as prioridades estratégicas para o desenvolvimento do Piauí. Na pauta, foram priorizados os investimentos em infraestrutura, sobretudo de transportes.

Entre as obras prioritárias para o estado estavam, naquela época, o porto de Luís Correia, a duplicação das BRs 316 e 343, as intervenções viárias na avenida Higino Cunha, em Teresina, e a construção de pontes. Os parlamentares piauienses se comprometeram em unir esforços, garantindo emendas para concretização dos investimentos.

A ideia era, segundo Wellington, que o governo do Estado pudesse retomar um contrato de refinanciamento no mês de julho para continuar as obras de duplicação da BR 316, na saída de Teresina em direção a Demerval Lobão até o entroncamento com Elesbão Veloso, e da BR 343, saída da capital até a cidade de Altos. Isso com o auxílio ou por meio de execução da obra pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).

Resgatei esta informação para lembrar que temos muitas prioridades a serem reconhecidas pelas nossas autoridades, tanto as que ocupam cargos na prefeitura de Teresina ou nas prefeituras de outros municípios e nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário do Estado.

São prioridades que remontam à história do povo do Piauí, sofrido, trabalhador, bondoso, como reconhecem os políticos locais sempre no período eleitoral. Alguns dizem: “este povo já me deu demais, agora tenho que recompensar, tenho que oferecer a ele alguma coisa para melhorar sua vida”.

Não devemos deixar de reconhecer que o estado ganha, ao longo do tempo, energia em busca do desenvolvimento real, ou seja, não apenas o progresso, mas o soerguimento de nossa economia tendo em vista a concretização dos nossos sonhos, destruindo as nossas históricas mazelas, as quais nos incomodam, como a injustiça socioeconômica, por exemplo.

Quais seriam, então, as prioridades do estado do Piauí? Quais seriam, então, as prioridades do povo do Piauí?

Em ano eleitoral elas sem dúvida serão levantadas pelos candidatos, especialmente pelos postulantes aos cargos majoritários de governador e de senador, que podem puxar a eleição, liderando movimentos em defesa das nossas mais urgentes demandas.

Todavia, temos eleições de dois em dois anos e as coisas não mudam muito. É preciso apressar o passo, como fizeram alguns estados, dentre os quais o Ceará, que reduziu consideravelmente a pobreza e a miséria.

Temos pressa porque o tempo urge e a vida verdadeira não é esta que experimentamos no dia-a-dia da nossa gente.

Esta é a ideia, cidadãos piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 09.08.18.

 

Lembrando Clóvis Rossi, pergunto: o que é o novo na política piauiense?

O site da Folha de S. Paulo de 28 de novembro do ano passado abordou com consistência a possibilidade do advento do novo na política brasileira. O portal postou editorial, artigo de Joel Pinheiro da Fonseca, charge de Laerte, além de artigo de Clóvis Rossi – que nos serve agora neste texto.

Leia o artigo completo aqui

Diz Clóvis Rossi: “Fácil de explicar: a renúncia de Luciano Huck à candidatura presidencial fez com que ficasse “aberta a vaga para ser a cara do novo em 2018”, como constata Pinheiro da Fonseca”.

Continua o jornalista: “Nada contra o “novo” (seja lá o que isso signifique). Ao contrário, tudo a favor. Pena que essa busca seja repetitiva: em 2002, ano de eleição presidencial, já havia essa ânsia por encontrar alguma novidade no panorama político-eleitoral”.

“Tanto era assim que quem saltou na frente nas pesquisas foi Roseana Sarney. Não precisa me dizer que não era propriamente uma novidade. Afinal, o clã Sarney domina a política maranhense faz séculos, a própria Roseana já havia sido eleita deputada federal 11 anos antes, além de ter sido figura influente no governo do pai, encerrado em 1990 — ou 12 anos antes do pleito no qual ela largou na frente, como novidade”, completa Clóvis Rossi.

Em seguida, prossegue: “Roseana só parecia uma novidade porque rompia o fla-flu dos dois pleitos anteriores entre PT e PSDB”.

“Abatida Roseana por uma pilha de dinheiro vivo encontrada em seu escritório político (o que demonstra que nem as malas de Geddel são algo “novo”), a novidade seguinte foi Ciro Gomes, que começou a subir nas pesquisas. Morreu enforcado na própria língua”, diz Clóvis Rossi.

“Deu Lula, na sua quarta tentativa de chegar à Presidência, o que, por si só, já arranhava o rótulo de “novo”, articula o jornalista.

“Que se busque agora, 15 anos depois daquela eleição, mais um “novo” é uma clara evidência de que o sistema político desandou completamente”.

“Não, não é (apenas) uma opinião pessoal: o Fórum Econômico Mundial, aquele que reúne, todos os janeiros, a elite global em seu encontro anual em Davos, mostrou no seu Índice de Competitividade Global, que, no sub-item “Confiança do público nos políticos”, o Brasil aparece na 137ª posição, o último lugar, já que são 137 os países que compõem o Índice”, esclarece.

O artigo, mais à frente, diz que “há movimentos no Brasil para tirar o liberalismo do armário, mas ainda é pouco para supor que o “novo” no Brasil-2018 possa ser um liberal de verdade. Até porque o partido que mais próximo poderia estar dessa vertente (o PSDB) surge com um manifesto com cheiro de naftalina. Tanto que tira do baú o “choque de capitalismo” que Mário Covas cunhou em 1989, faz já 28 anos”.

Aqui, na Chapada do Corisco enlameada e ao mesmo tempo ensolarada, fala-se aos quatro cantos em novidade, no advento do novo, que este ou aquele representa o novo etc, etc, etc.

O que é o novo, então, na velha e tradicional política piauiense?

O que é o novo, então, na esquálida política piauiense, em que o novo se mostra arcaico e se junta aos antigos e tradicionalistas construtores do estado do caos que se constata na economia, na segurança pública, na saúde, na educação.

O que é o novo, então, na política piauiense, em que o novo absorve as práticas eleitoreiras de quem condena e as faz suas, comprometendo-se no toma-la-dá-cá do jogo do poder?

Podres poderes. Velha roupa colorida. Como nossos pais.

Esta é a ideia, cidadãs e cidadãos piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 08.08.18.

 

O Brasil e o Nordeste esquecido

Não queremos ser repetitivos, mas alguns temas merecem ser repetidos para ajudar na reflexão em torno dos nossos problemas, das nossas mazelas, dos nossos desafios, os quais devemos enfrentar de cabeça erguida, sem medo de errar.

Pois bem. Lembremos as promessas dos grandes líderes nacionais para com o Nordeste e, especialmente, para com o Piauí.

Não poucas vezes, lideranças nacionais vieram ao Nordeste dizer que a região é injustiçada, que o lugar é pobre e esquecido do Brasil. Já ouvimos muito choro de autoridades do Piauí. Já ouvimos muita gente de outros estados reclamarem que o Nordeste é o fim do mundo. Sulistas há que alimentam preconceitos contra a região.

Em alguns momentos, presidentes prometeram ações para minorar o sofrimento do povo nordestino. Em seu primeiro governo, o presidente Lula, em 2003, elegeu os municípios piauienses Guaribas e Acauã para comporem projetos pilotos do programa Fome Zero, ideia mãe do programa Bolsa Família. Os dois integravam a lista dos municípios brasileiros com os piores índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do país. Guaribas e Acauã são o retrato de milhares de municípios espalhados pelo resto do Brasil, especialmente no Nordeste, com baixa renda per capita e PIB praticamente insignificante.

Muito antes, na década de 70 do século passado, o presidente Emílio Garrastazu Médici, general do Exército, disse que vinha de longe {ele nasceu no Rio Grande do Sul} e que tinha pressa em mudar o Brasil. Dirigiu-se ao homem do campo prometendo-lhe guarida. Veio ao Piauí e viu criancinhas acenando-lhe, com bandeirolas, enfileiradas nas bordas das avenidas.

Tivemos alguns presidentes da República nascidos no Nordeste. Ora, o que isso vale? Quase nada. Não é pelo fato de ter nascido em uma região que um presidente vai beneficiá-la em detrimento das outras. O que ele precisa é trabalhar para reduzir as desigualdades socioeconômicas entre as regiões e que maltratam as pessoas, individualmente, e o povo, coletivamente.

Até em dividir o Nordeste já se falou. Quem não lembra da música de Bráulio Tavares e Ivanildo Vilanova? Aliás, Bráulio já disse que tornar o Nordeste independente não mudaria nada porque a região poderia continuar sendo governada por velhos coronéis e latifundiários. Ou mesmo por políticos ladrões.

Este é o motivo da reflexão de hoje, no ano em que escolheremos o presidente da República, governadores, deputados estaduais e federais e senadores.

Opinião de Domingos Bezerra Filho no Jornal da Teresina 2ª Edição de 07.08.18.

Às 15h13

P.S. : Confira a letra da música acima mencionada

NORDESTE INDEPENDENTE
(Imagine o Brasil)

(Ivanildo Vilanova e Bráulio Tavares)

Já que existe no Sul este conceito
que o Nordeste é ruim, seco e ingrato,
já que existe a separação de fato
é preciso torná-la de direito.
Quando um dia qualquer isso for feito
todos dois vão lucrar imensamente
começando uma vida diferente
da que a gente até hoje tem vivido:
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

Dividindo a partir de Salvador
o Nordeste seria outro país:
vigoroso, leal, rico e feliz,
sem dever a ninguém no exterior.
Jangadeiro seria o senador
o cassaco de roça era o suplente
cantador de viola o presidente
e o vaqueiro era o líder do partido.
Imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

Em Recife o distrito industrial
o idioma ia ser “nordestinense”
a bandeira de renda cearense
“Asa Branca” era o hino nacional
o folheto era o símbolo oficial
a moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro seria o Inconfidente
Lampião o herói inesquecido:
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

O Brasil ia ter de importar
do Nordeste algodão, cana, caju,
carnaúba, laranja, babaçu,
abacaxi e o sal de cozinhar.
O arroz e o agave do lugar
a cebola, o petróleo, o aguardente;
o Nordeste é auto-suficiente
nosso lucro seria garantido
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

Se isso aí se tornar realidade
e alguém do Brasil nos visitar
neste nosso país vai encontrar
confiança, respeito e amizade
tem o pão repartido na metade
tem o prato na mesa, a cama quente:
brasileiro será irmão da gente
venha cá, que será bem recebido…
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

Eu não quero com isso que vocês
imaginem que eu tento ser grosseiro
pois se lembrem que o povo brasileiro
é amigo do povo português.
Se um dia a separação se fez
todos dois se respeitam no presente
se isso aí já deu certo antigamente
nesse exemplo concreto e conhecido,
imagine o Brasil ser dividido
e o Nordeste ficar independente.

 

 

Dos 213 milhões de brasileiros, 52 milhões estão abaixo da linha da pobreza

O IBGE divulgou recentemente que cerca de um quarto da população brasileira vive com menos de US$ 5,50 (R$ 18,24) por dia, segundo matéria publicada pela revista Veja em janeiro deste ano. O texto diz que “apenas 40,4% dos brasileiros abaixo da linha da pobreza tinham acesso a água, esgoto e coleta de lixo simultaneamente”.

“Um quarto da população, ou 52,168 milhões de brasileiros, estava abaixo da linha de pobreza do Banco Mundial em 2016, ano mais agudo da recessão. Esse é o total de brasileiros que vive com menos de 5,50 dólares (18,24 reais) por dia, equivalente a uma renda mensal de 387,07 reais por pessoa em valores de 2016. Os dados, da Síntese de Indicadores Sociais 2017, foram divulgados” pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A matéria diz que “o Brasil não tem uma linha oficial de pobreza; há diversas linhas que atendem a vários objetivos. Chega-se a 4,2% da população segundo o recorte de pobreza extrema do Bolsa Família (85 reais mensais), 6,5% no recorte de pobreza extrema global do Banco Mundial (1,90 dólar por dia, ou 6,30 reais, equivalente a 134 reais mensais) e 12,1% com um quarto de salário mínimo per capita. Recortes de pobreza mais altos incluem a população com até meio salário mínimo per capita (29,9%) e a linha do Banco Mundial que leva em conta o nível de desenvolvimento brasileiro (e da América Latina) de 5,5 dólares por dia.”

“Quando considerada a Linha Internacional de Pobreza do banco multilateral, de 6,30 reais por pessoa, 13,350 milhões de brasileiros, ou 6,5% da população total, vivem com menos desse valor por dia. Esse contingente é superior à população da capital paulista (12,1 milhões, segundo o IBGE). Conforme o IBGE, a linha de extrema pobreza do Banco Mundial equivale a uma renda mensal média de 133,72 reais por pessoa do domicílio,”, complementa a reportagem.

O que se conclui é que o Brasil precisa implementar programas e inventar projetos que transformem radicalmente a infraestrutura no interior do país, especialmente em estados pobres como o Piauí. Não nos esqueçamos, entretanto, de metrópoles como São Paulo e Rio de Janeiro, onde, em que pese o enorme contingente populacional e o parque industrial volumoso, registram-se índices vergonhosos de desníveis socioeconômicos.

Para finalizar: a crise política é o momento ideal para construir caminhos com novas ideias e posturas, não apenas com nomes cujas atitudes copiam as velhas e arcaicas estruturas políticas do século passado.

Esta é a ideia.

Opinião no Jornal da Teresina 06.08.18

Domingos Bezerra Filho

Confira a matéria da Veja no link abaixo:

https://veja.abril.com.br/economia/ibge-52-milhoes-de-brasileiros-estao-abaixo-da-linha-da-pobreza/

 

As guerras só devem ser feitas para libertar os povos

Para que serve uma batalha? Para que serve uma guerra?

Muitos países vivem em guerra permanente, como os Estados Unidos. Na busca constante do imperialismo, da dominação, da supremacia sobre outros povos, tentando auferir lucros, ganhar dividendos, explorar os mais fracos.

A história registra batalhas e guerras por causa do poder. Não foram os povos que fizeram as guerras. Foram seus líderes. Talvez até para satisfazer o seu ego, fazer vingar o seu egocentrismo, tal como Hitler, que, na ânsia enganosa de que o povo alemão era puro e superior, provocou uma guerra envolvendo a maioria dos países até então existentes. Um louco, talvez. Um maluco que sacrificou o próprio povo.

Todavia, como é comum, a guerra mundial da primeira metade do século passado propiciou o progresso da ciência, da tecnologia, favorecendo, inclusive, o surgimento, mais tarde, da internet que hoje tanto nos auxilia, facilitando a vida contemporânea.

Os exércitos, as forças armadas, são instrumentos de defesa da Pátria. Foi assim durante o correr dos tempos aqui e em outros lugares. Reis e presidentes, ditadores e líderes arregimentaram jovens para a formação dos seus exércitos, os quais, para garantir a soberania da sua terra, guerrearam em defesa da pátria.

Para que serve uma batalha? Para que serve uma guerra?

Serve para garantir, portanto, a soberania do povo de um lugar. Foi assim historicamente, mesmo que, em determinados momentos, tal povo tenha sido usado pelos governantes, guerreiros insanos que causaram mortes e dominação.

Pois bem. Também tivemos a nossa guerra. Aqui pertinho, a 84 quilômetros da Teresina que ainda não existia e que era apenas uma vila de pescadores na beira do Poti. Nas margens e no leito do riacho Jenipapo, em Campo Maior deu-se a nossa guerra.

A nossa guerra, a batalha do Jenipapo, foi semelhante às outras. Foi uma pequena guerra perdida, naquele momento, que, depois, consagrou a nossa liberdade, a nossa independência, a independência de um povo que se formava e que ainda se forma e se transforma.

A nossa guerra, a batalha do Jenipapo, a exemplo das outras, que só assim ocorre, teve seus líderes, os quais convenceram as pessoas simples, humildes, pequenos trabalhadores do campo, a engrossar as fileiras em defesa da liberdade, cansados que estavam do jugo português.

Nossos líderes merecem o nosso respeito e o nosso carinho porque viram, sentiram que era chegado o momento de nos libertarmos para crescermos sem a usura portuguesa, a qual, ao explorar nossa terra, massacrava nossa gente, principalmente a gente humilde, sem força, escrava.

Ao mesmo tempo em que reconhecemos a luta dos nossos maiores que a história guarda como heróis, temos de perguntar o que foi feito da nossa liberdade. Para que morreram cerca de 600 ou 800 piauienses, cearenses e maranhenses na batalha do Jenipapo?

Para que serve uma batalha? Para que serve uma guerra?

Uma guerra só deve servir para libertar um povo!!!!!!!

A nossa batalha do Jenipapo não nos libertou. Apenas morremos com ela. Mas, quando morremos com a batalha do Jenipapo, também aprendemos a gritar por liberdade.

A liberdade que ainda não conquistamos.

Para encerrar, pergunto com o poeta: Quantas guerras teremos de vencer por um pouco de paz?

Esta é a ideia, guerreiras e guerreiros piauienses.

Domingos Bezerra Filho

Opinião no Jornal da Teresina 2ª Edição de 03.08.18.

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